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Unidade de Dor Torácica


Entrevista com Dr. Elias Knobel

Unidade de Dor Torácica: agiliza o diagnóstico e tratamento

Indisposição gástrica, dor na “boca do estômago”, formigamento no braço, falta de ar e tontura, mal estar indefinido no peito. Nem sempre a dor no peito é a primeira manifestação do infarto do miocárdio, que mata por ano no mundo cerca de 15 milhões de pessoas. A doença é a segunda principal causa de morte entre os brasileiros, e o índice de mortalidade hospitalar por infarto no país ainda é alto, entre 10% e 15%.

Quanto mais rápido for diagnosticado do infarto, maior a chance de sobrevivência. Um dos meios que os hospitais têm encontrado para fazer com que o infarto seja rapidamente diagnosticado são as Unidades de Dor Torácica. Elas funcionam como uma espécie de triagem, que divide os pacientes por níveis de gravidade. O médico Elias Knobel explica o que é preciso para identificar rapidamente um infarto e em que proporção isso influencia a cura e o custo do tratamento para o paciente. Confira a entrevista:

A dor torácica é o primeiro sintoma de um infarto?

Dr. Knobel: Podemos dizer que na grande maioria dos casos a dor é a primeira manifestação do infarto. Mas nem sempre a pessoa tem dor, às vezes ela tem apenas um desconforto, um mal estar indefinido, às vezes uma “simples” dor no estômago pode ser um sintoma de infarto. Ou então a morte súbita. Há situações em que a morte é a primeira manifestação do infarto.

Como o senhor define a morte súbita?

Dr. Knobel: O conceito de morte súbita é uma parada cardíaca que o indivíduo tem que pode acontecer nas primeiras 24 horas. Por exemplo, o indivíduo tem um infarto, com dor no peito, e morre em 6 ou 12 horas. Isso é considerado morte súbita.

Nesse caso, há como o médico  interceder para evitar a morte? Como?

Dr. Knobel: Fazendo o diagnóstico precoce, correto e intervindo imediatamente para evitar a progressão das lesões no músculo cardíaco.

Além da dor torácica, quais os primeiros sintomas de um infarto?

Dr. Knobel: De uma forma geral, podemos considerar que uma dor, um mal estar, desconforto ou uma falta de ar (principalmente em idosos) são geralmente as primeiras manifestações de uma doença aguda das coronárias, cuja conseqüência mais explícita é o infarto agudo do miocárdio.

O que gera a dor?

Dr. Knobel: A dor acontece quando há uma redução do fluxo na artéria coronária quer em decorrência de uma obstrução ou de um espasmo. Nestes casos, a coronária se fecha e impede a passagem de sangue e oxigênio para o músculo cardíaco. A falta de oxigênio no músculo é manifestada por uma dor, um desconforto ou uma arritmia.

E como ter certeza de que a dor é uma manifestação do infarto?

Dr. Knobel: A dor torácica, como o próprio nome diz, é uma dor que ocorre na região do tórax. Portanto, pode ser em decorrência desde uma lesão na pele até uma alteração da costela, do nervo e do músculo intercostal, de um problema na coluna etc. Muitas patologias podem provocar dor torácica, dor no esôfago, no pulmão, e outras. Até mesmo ao realizar uma atividade física o indivíduo pode ter uma distensão do músculo intercostal que pode simular uma dor coronariana. Costumo dizer que há dois tipos de dores, a dor coronariana e as outras. Com os outros tipos de dores há tempo para diagnosticar a sua origem. Já na dor coronariana é preciso agir rapidamente. Nesse caso tempo é vida.

A Unidade de Dor Torácica diminui o tempo para distinguir rapidamente a dor coronariana das demais?

Dr. Knobel: A rotina adotada até há pouco tempo era a seguinte: o paciente chegava com uma dor, um desconforto no peito e era imediatamente internado. Permanecia internado por um, dois ou três dias e aí se concluía que aquilo não era nada. É por isso que foram criadas as Unidades de Dor Torácica, onde o paciente é admitido neste serviço, onde existem protocolos de conduta, com rotinas, e fluxo de condutas para que se esclareça nas primeiras seis horas se a dor é decorrente ou não de um problema coronariano. E na grande maioria das vezes é possível fazer este esclarecimento.
A Unidade de Dor Torácica serve para aqueles que têm uma dor que ainda não foi definida como proveniente de um infarto ou coronariopatia aguda. Se no momento da admissão for diagnosticado infarto do miocárdio, o paciente é imediatamente transferido para Unidade de Coronária.
Para se ter uma idéia, mais de 80% dos pacientes que chegam ao Hospital Albert Einstein com suspeita de infarto não precisam ser internados. Tudo por conta dessas unidades específicas, implementadas no hospital há cerca de dois anos. Elas possibilitam rapidamente excluir o diagnóstico da doença. Como a maioria das suspeitas de infarto não se confirma, em geral ocorre uma redução de até 30% no custo final do atendimento para o paciente. Além disso, a não necessidade de internação possibilita aos pacientes um tratamento muito mais rápido e eficaz.

Quais as diretrizes que devem ser seguidas para o diagnóstico das  doenças cardíacas?

Dr. Knobel: As diretrizes que utilizamos são baseadas nos guidelines da Sociedade Brasileira de Cardiologia, American Heart Association e o American College of Cardiology . Elas foram publicadas no livro Condutas em Terapia Intensiva Cardiológica de autoria de Elias Knobel, e co-autores Marcos Knobel e José Marconi de Almeida Sousa.

Qual a diferença entre o atendimento prestado até agora e o implementado no Programa de Cardiologia Einstein?

Dr. Knobel: A diferença é que será feita uma abordagem do processo de assistência cardiológica, como um todo, do início ao fim, da prevenção até a reabilitação. Ou seja, uma seqüência e continuidade no tratamento médico. Toda uma equipe de profissionais será especialmente direcionada para isso. Concentrar uma equipe multiprofissional, interdisciplinar, especialmente treinada para fazer o diagnóstico e tratamento precoce.
Uma estrutura multi serviço com recursos humanos especializados, tecnologia de ponta, protocolos de conduta uniformes de tal modo que todos os participantes da equipe sigam as mesmas condutas e orientações. Desse modo, de acordo com os indicadores, será possível avaliar o desempenho desta modalidade de tratamento e implementar continuamente programas de melhoria de qualidade.

E em termos de equipamentos, há alguma novidade?

Dr. Knobel: No Hospital Israelita Albert Einstein temos todos os equipamentos necessários. Porém, na maioria dos locais de atendimento de urgência, nem sempre é disponível a realização de um exame de medicina nuclear de madrugada, por exemplo. No HIAE – Unidade Morumbi o atendimento ocorre nas 24 horas, inclusive cateterismo cardíaco e outros. Contamos com profissionais altamente capacitados para atingir os objetivos almejados.

No Brasil o infarto é a segunda principal causa de morte, só perde para acidente vascular cerebral. Como essas mortes poderiam ser evitadas?

Dr. Knobel: Muitas mortes poderiam ser evitadas se houvesse maiores condições para disponibilizar recursos humanos e tecnologia nessa área. E recursos humanos, capacitação de profissionais, é muito mais importante do que a tecnologia, que é finita.

Este material tem propósito informativo e não dispensa a necessidade de consulta a profissional qualificado e habilitado.

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