Síncope ou desmaio é uma perda breve, repentina e temporária da consciência associada à incapacidade de manter-se em pé, havendo recuperação espontânea. A perda da consciência é resultado do baixo fluxo de sangue para o cérebro. Pode ser classificada em cardíaca e não cardíaca, mas cerca de 50% dos casos não apresentam uma causa definida, apesar de ampla investigação.
O índice de recorrência é bastante elevado; uma vez constatado um episódio de síncope a probabilidade de recidiva é por volta de 30%. Por outro lado, a taxa de mortalidade é variável e está diretamente relacionada com a causa e a idade, sendo observadas as maiores incidências em pacientes com síncope de origem cardiogênica, e com mais de 60 anos.
Corresponde de 1 a 3 % dos casos admitidos em sala de emergência e 3 a 5% das admissões hospitalares, nos Estados Unidos. Os dados epidemiológicos em síncope derivam do estudo de Framingham. De acordo com esse estudo, 3% dos homens e 3,5% das mulheres vivenciaram, pelo menos, um episódio de síncope durante a vida, com idade média de aparecimento do primeiro episódio por volta dos 50 anos para homens e 52 anos para mulheres.
Alguns pacientes sentem tontura, visão turva, suor frio, palpitações (batimentos cardíacos acelerados), dor no peito, dor abdominal e náuseas precedendo a síncope. Outros não apresentam sintomas, ou quando percebem, já estão caídos no solo. Este tipo sem sintomas precedentes pode ser grave pelo risco de acidentes.
As causas podem ser agrupadas em dois grandes grupos:
Síncope cardíaca: geralmente súbita, sem associação com sintomas premonitórios, convulsões, liberação urinário ou intestinal ou estado de sonolência e confusão mental. Dentre as causas cardíacas destacam-se, pela gravidade: infarto agudo do miocárdio (obstrução das artérias coronárias), arritmias (batimentos cardíacos fora do ritmo, mais rápidos ou mais lentos que o normal), doenças cardíacas congênitas (malformações envolvendo o coração desde o nascimento), estenose aórtica (calcificação da valva aórtica), dissecção e ruptura de aorta (ruptura de camadas da artéria aorta), embolia pulmonar (obstrução da artéria pulmonar), entre outras. Quando é resultado de infarto agudo do miocárdio ou ressecção de aorta, os sintomas estão associados à dor no peito, dor no pescoço, dor nos ombros, falta de ar, dor no estômago, queda da pressão arterial, alteração da consciência e por vezes pode levar a morte.
Síncope não-cardíaca: os sintomas geralmente são: visão borrada e acinzentada, suor em excesso, palidez, perda da consciência.
Síncope neurocardiogênica (vasovagal ou neuromediada): caracteriza-se por queda do batimento cardíaco e da pressão arterial. Fala a favor de síncope neurocardiogênica: posição de pé prolongada; ambientes estressantes (ex: ambiente de hospital, lugares cheios ou muito quentes); tem recuperação rápida da consciência; e sintomas associados de palidez, sudorese, fadiga e desejo de evacuar (após a síncope).
Síncope de origem em distúrbios emocionais: raramente apresenta queda.
Síncope após levantar-se subitamente: ocorre principalmente em pacientes idosos e que usam medicamentos anti-hipertensivos, sugere a presença de hipotensão ortostática (queda da pressão ao adotar-se a posição de pé ). ventos cotidianos como micção, evacuação, deglutição e tosse também podem desencadear síncope e estão associadas a alterações da pressão arterial que podem ocorrer nessas circunstâncias.
Síncope neurológica: Dentre as causas neurológicas, destacam-se: acidente vascular encefálico (trombose cerebral ou derrame), ruptura de aneurisma cerebral, Doença de Parkinson e alguns tipos de epilepsia. Cursa com convulsões, liberação urinária ou intestinal ou estado de sonolência e confusão mental.
De origem metabólica: hipoglicemias, intoxicações.
Pulmonar
Infecciosas
Dor acentuada
Desidratação
Desconhecidas
A investigação é feita através de um exame médico minucioso que inclui história clínica detalhada e exame físico, além de exames complementares. Em 50 a 85% dos pacientes, o diagnóstico é feito apenas pela história clínica e exame físico.
História clínica: O histórico do paciente com queixa de síncope deve incluir as circunstâncias que precipitaram o episódio de desmaio, sendo fundamental o relato das testemunhas do evento. A presença de sintomas antes ou depois da síncope, como dor no peito, palpitações, náuseas, sudorese e palidez, devem sempre ser pesquisados. A circunstância da ocorrência da síncope (posição de pé, ao levantar-se, após micção ou evacuação, após tosse prolongado etc), deverá ser pesquisada. O uso de medicamentos deve ser indicado levando-se em conta possíveis efeitos colaterais.
Exame físico:
Sempre avaliar os sinais vitais, tais como:
Temperatura: verificar febre e investigar focos de infecção.
Pressão arterial: aferir a pressão arterial em duas posições para constatar hipotensão postural (marcada pela diminuição da pressão sistólica em 20 mmhg, diminuição da pressão diastólica em 10 mmhg, ou diminuição de 20 batimentos por minuto com a mudança de posição).
Pulso: Taquicardia (batimentos acelerados do coração) pode ser um indicador de Embolia Pulmonar, taquiarritimia, hipovolemia ou síndrome coronariana aguda. Bradicardia pode indicar um defeito de condução cardíaca, ou síndrome coronariana aguda.
Exame Cardiopulmonar: verificar ritmos irregulares, ectopias. Auscultar ruídos do coração que possam indicar comprometimento das válvulas.
Exame Neurológico: deve estabelecer parâmetros para avaliar a melhora ou piora do quadro clínico. Pacientes com síncope devem ter exame neurológico normal. Confusão mental, comportamento anormal, dor de cabeça, sonolência, não devem ser atribuídos a síncope.
Trauma: Apos a síncope, devem ser pesquisadas lacerações, ferimentos e fraturas.
Massagem do seio carotídeo: A manobra consiste em compressão unilateral da artéria carótida por 5 a 10 segundos, na margem anterior do músculo do pescoço. Massageamos à direita e à esquerda com 1 a 2 minutos de diferença, com paciente em posição supina para verificar hipersensibilidade do seio carotídeo. O procedimento deve ser realizado por profissional habilitado e ser evitado quando houver sopro carotídeo ou doença aterosclerótica severa das artérias.
Exames complementares: incluem exames laboratoriais, Eletrocardiograma, Holter, ecocardiograma, Tilt-test, eletroencefalograma, tomografia do crânio, entre outros que poderão ser necessários para a elucidação do caso.
Os exames mais solicitados são:
Exames laboratoriais: Verificar o nível de glicose (açúcar) no sangue. Glicose baixa pode desencadear síncope.
Eletrocardiograma: (exame que registra a variação dos potenciais elétricos gerados pela atividade elétrica do coração). Buscar alterações como bradicardia sinusal assintomática (diminuição da frequencia cardíaca), anormalidades da condução intraventricular, bloqueio átrio ventricular de grau avançado ou total, sinais de isquemia ou infarto, arritmias.
Holter de 24 horas: é o eletrocardiograma registrado em 24 horas; avalia as variações do ritmo e da freqüência cardíaca; de sintomas muito freqüentes que aparecem e desaparecem de forma inesperada; arritmias, etc.
Ecocardiograma (ultrasom de coração): É um método diagnóstico muito utilizado em cardiologia para a detecção de alterações estruturais e/ou funcionais do coração.
Tilt-test: O Teste de Inclinação Ortostática – Tilt Table Test – é um método desenvolvido para testar como seu corpo regula a pressão arterial em resposta a mudanças de posição, ou seja, como sua pressão arterial se adapta ao estresse da gravidade. Esse procedimento pode detectar disfunções no sistema cardiovascular (‘disautonomias’) que acarretam quedas indesejáveis da pressão arterial e da freqüência de batimentos cardíacos, levando à síncope.
O tratamento da síncope está relacionado com sua causa. No caso da síncope vasovagal, muitas vezes as medidas não farmacológicas são suficientes como: hidratação vigorosa, evitar locais quentes e abafados, uso de meia elástica, treinamento postural passivo, dentre outras. Entre as possibilidades farmacológicas destacam-se: beta-bloqueadores, drogas antiarrítmicas, mineralocorticóides, trombolíticos, inibidores da recaptação de serotonina e alfa agonista. Os casos de doença valvular requerem intervenção cirúrgica.
Existem algumas medidas para evitar a possibilidade de desmaiar:
Este material tem propósito informativo e não dispensa a necessidade de consulta a profissional qualificado e habilitado.