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Obesidade


O que é obesidade?

É definida como uma enfermidade crônica decorrente do acúmulo excessivo de gordura no corpo, acarretando uma série de disfunções orgânicas que prejudicam de uma forma direta a saúde.

A obesidade tem sido considerada um dos principais problemas de saúde pública da sociedade moderna, haja visto o crescente número de pessoas que se encontram nessa condição. Tal fato agrava-se ainda mais, na medida em que se revela cada vez mais freqüente a obesidade infantil. Nos Estados Unidos, por exemplo, é considerado atualmente um dos maiores problemas de saúde pública.

Estudos apontam que pessoas com sobrepeso têm 55% de chance de ter níveis altos de colesterol, hipertensão arterial e aumento dos níveis de glicose no sangue. Em contrapartida, pessoas que se encontram na faixa normal de peso apresentam 75% de chance de apresentarem resultados normais de colesterol ou da glicemia.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação do peso normal de uma pessoa é variável de acordo com a população estudada. Podem ser feitos dois tipos de diagnósticos, um quantitativo, que relaciona a massa corpórea ou a massa de tecido adiposo do indivíduo, e um qualitativo, que se refere à distribuição de gordura corpórea.

Dentre os métodos utilizados no diagnóstico quantitativo da obesidade, temos:

Tabelas de peso versus altura.

  • Índice de massa corpórea (IMC): Consiste na relação entre o peso dividido pelo quadrado da altura. (IMC = peso / altura2).

É o método mais utilizado, entretanto tem a desvantagem de não distinguir gordura central de gordura periférica, nem massa gordurosa de massa magra, podendo superestimar o grau de obesidade em pacientes musculosos.

De acordo com o IMC, tem-se a seguinte classificação:

IMC

Classificação

18 a 24,9 Peso Saudável – Obesidade Ausente
25 a 29,9 Sobrepeso / Pré obeso
30 a 34,9 Obesso Classe I
35 a 39,9 Obesso Classe II
acima de 40 Obesso Classe III – Obesidade Mórbida

Em crianças, é preferível o uso do IMC percentual, que independe da altura e da idade da criança, relacionando percentis de peso e altura.

Qualitativamente, considera-se que o excesso de gordura pode estar mais localizado na região abdominal ou no tronco, caracterizando a obesidade em “maçã”, mais freqüente em homens. Esse acúmulo também pode estar mais concentrado nos quadris, caracterizando a obesidade em “pêra”, mais freqüente nas mulheres.

Para o diagnóstico qualitativo, que analisa a distribuição corpórea de gordura, podemos considerar os seguintes métodos mais utilizados na prática clínica:

  • Medida do maior perímetro abdominal entre a última costela e a crista ilíaca.
  • Relação cintura-quadril.

O que é obesidade abdominal? E qual a sua importância como fator de risco cardíaco?

Obesidade abdominal é o acúmulo de gordura nas vísceras situadas no interior do abdômen. Ela é muito comum nos homens sedentários com hábitos alimentares errados, e nas mulheres após a menopausa. Esta gordura, devido ao seu metabolismo, promove uma série de modificações no organismo, levando ao aumento da glicemia, pressão arterial, do colesterol e triglicérides, e alterações da coagulação que favorecem o aumento do risco de o indivíduo desenvolver doença cardiovascular. Atualmente, a obesidade abdominal, por si só, independente de outros fatores, está associada com o aumento do risco cardiovascular.

Quais são os problemas relacionados a gordura localizada?

O obeso em “maçã”, o que tem gordura localizada na região central (abdominal), apresenta maior risco de complicações cardiovasculares e metabólicas.

A obesidade localizada, como referido anteriormente, pode ser determinada pela relação das medidas da cintura-quadril.

Os valores são considerados normais quando a relação permanecer até 0,95 para homens e até 0,85 para mulheres. No caso da medida da circunferência da cintura abdominal, (outro critério de avaliação da obesidade que tem sido bastante usada), os valores normais seriam de até 98cm para homens e 85cm para mulheres.

Quais são as doenças associadas à obesidade?

Existem muitas doenças associadas à obesidade, que podem tanto ser causa como conseqüência dessa condição. Por isso nesses pacientes deve ser feita uma ampla avaliação clínica, para investigação de possíveis doenças tais como:  hipertensão arterial, dislipidemias (aumento do colesterol e triglicérides), diabetes mellitus, apnéia do sono, esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), colecistite (formação de cálculos
na vesícula), síndromes dos ovários policisticos, neoplasias (câncer uterino, de mama, vesícula e próstata), e aumento da coagulabilidade do sangue podendo levar ao infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral (derrame). Estas doenças associadas levam ao aumento do risco cardiovascular e são denominadas Síndrome Metabólica. (veja o texto sobre o assunto)

O que causa obesidade?

O equilíbrio entre as calorias ingeridas e a energia despendida determina o peso de um indivíduo. Se o consumo energético é superior à perda, ocorre um ganho de massa corpórea. Assim, uma das causas mais comuns do excesso de peso é tanto o ato de comer muito (principalmente carboidratos e gorduras) como a falta de atividade física.

Uma série de fatores podem contribuir para a obesidade. Dentre esses podemos citar:

Genéticos: o indivíduo cujos pais são obesos apresenta maior tendência a desenvolver obesidade.
Freqüência da alimentação: pesquisadores observaram que pessoas que comem quatro ou cinco vezes por dia pequenas porções têm níveis de colesterol e glicose mais baixos no sangue comparadas a pessoas que comem com menor freqüência, mas em grandes porções. Uma possível explicação seria o fato de que pequenas refeições com uma freqüência maior produzem níveis mais estáveis de insulina, enquanto que após grandes refeições o pico de insulina pode ser muito alto após a alimentação, o que contribui para o acúmulo de gordura.

Metabolismo reduzido: as mulheres apresentam um metabolismo bem mais lento que os homens, visto que apresentam menos músculos, os quais são capazes de metabolizar (queimar) mais calorias que qualquer outro tecido. Em conseqüência disso, as mulheres têm uma maior tendência para engordar, assim como uma maior dificuldade para perder peso. É válido ressaltar que, com a idade, homens e mulheres tornam-se suscetíveis à perda de massa muscular, reduzindo, dessa maneira, seu metabolismo. Assim, todos nós temos tendência a ganhar peso à medida que envelhecemos.

Falta de atividade física: estudos comprovam que o sedentarismo está relacionado ao ganho de peso em ambos os sexos.

Medicamentos: Alguns medicamentos, tais como antidepressivos, anti-convulsivantes, anti-diabéticos, anticoncepcionais e corticóides podem contribuir para um maior ganho de peso.

Fatores psicológicos:
Para algumas pessoas o estado emocional influencia os hábitos alimentares. Cerca de 30% dos indivíduos que buscam tratamento para obesidade apresentam sérios distúrbios emocionais.

Doenças como o hipotireoidismo, resistência insulínica, síndrome dos ovários policísticos, síndrome de Cushing, dentre outras contribuem para a obesidade.

Peso durante infância: crianças, adolescentes e adultos jovens com sobrepeso podem desenvolver obesidade na vida adulta.

Fatores Hormonais: mulheres têm uma maior tendência a ganhar peso durante períodos em que ocorrem variações hormonais em seu organismo, tais como a gravidez, a menopausa e durante o uso de contraceptivos orais.

Como é possível tratar a obesidade?

O tratamento da obesidade deve ser voltado para o bem-estar e a saúde metabólica do indivíduo. A perda de peso e sua manutenção é a base para a garantia da saúde metabólica. Perdas de 5 a 10% do peso podem melhorar a pressão arterial, as alterações das lipoproteínas (LDL e HDL), a apnéia do sono e mesmo o diabetes.

A terapêutica não se aplica somente ao peso em si, mas também a uma mudança de hábitos de vida, com uma reeducação alimentar, a prática de exercícios físicos e, dependendo da situação de cada paciente, pode estar indicado o tratamento comportamental e se necessário uso de inibidores de apetite. Em se tratando de obesidade causada por outras doenças, o tratamento deve ser direcionado para a causa do distúrbio de base.

Em casos de obesidade mórbida, em que é necessária uma perda de peso maior, o tratamento com medicamentos, na maioria das vezes, tem resultados ruins, sendo por vezes necessária uma intervenção cirúrgica. Essa opção apresenta uma série de riscos e por isso deve ser criteriosamente avaliada de modo que os benefícios sejam significantes o suficiente para justificar o tratamento. Qualquer tratamento para a obesidade somente deve ser feito por profissional devidamente habilitado, com o médico e a nutricionista.

Como fazer uma dieta adequada?

O objetivo principal da dieta deve ser interromper o ganho de peso e promover a sua perda. Atingir o IMC ideal de 20-25 é bem difícil para pessoas obesas, entretanto qualquer perda de peso já proporciona grandes benefícios para a saúde.

Uma forma efetiva de perder peso é ingerir menos calorias. Um kilograma corresponde a aproximadamente 1600 calorias. Dessa maneira, o indivíduo deve “queimar” 1600 calorias para perder um quilo. Um adulto em geral precisa receber entre 1200-2800 calorias por dia, dependendo da sua estrutura física e da quantidade de atividade física que ele pratica diariamente.

A restrição inicial de carboidratos na dieta pode promover uma perda considerável de peso principalmente nas duas primeiras semanas. Após esse período, a ingestão de carboidratos deve ser controlada juntamente com o consumo de proteínas, uma vez que seu consumo é preferível comparado a alimentos gordurosos que são bem mais calóricos. Deve ser estimulado o consumo de carboidratos complexos, presentes em frutas, vegetais, pão integral (também rico em fibras) e deve ser evitado o consumo de carboidratos simples como açúcar, doces, bolos dentre outros.

Em geral, orienta-se que a alimentação diária seja dividida em 5 a 6 refeições, com aproximadamente 50-60% de carboidratos, 25-30% de gorduras e 15-20% de proteínas.

Qualquer tipo de dieta deve sempre ser feita sob a orientação médica.

Qual a importância da prática de exercícios físicos?

Diversos estudos comprovaram cientificamente que pessoas as quais praticam exercícios físicos apresentam uma menor tendência a ganhar peso comparadas a pessoas sedentárias.

A atividade física auxilia fundamentalmente na “queima” de calorias. Tal fato depende do tipo, da duração, da intensidade e da freqüência dos exercícios. Além disso, a quantidade de calorias perdidas depende também do peso do indivíduo.

O exercício físico realizado ocasionalmente e isoladamente sem a associação de uma dieta com baixa quantidade de calorias tem efeitos limitados na perda de peso. Assim, a prática deve ser regular para garantir a manutenção do peso e, por sua vez, um estilo de vida saudável. Vários estudos que analisaram todos os fatores responsáveis pela manutenção da perda de peso, concluíram que  apenas a  prática regular de atividade física, foi fator determinante do sucesso de todos os tratamentos.

Qual a quantidade de tempo e a freqüência que são recomendadas para a prática de exercícios físicos?

Preferencialmente aconselha-se a prática diária de exercícios por pelo menos 20 a 30 minutos. Praticando-se durante 5 dias por semana  exercícios moderados já constatam-se bons resultados. Caminhar, correr, jogar, nadar são opções que devem ser adotadas de acordo com a preferência e as limitações de cada indivíduo.

A freqüência e intensidade dos exercícios deve ser gradual, evitando exageros.

Existe alguma restrição para a prática de exercícios físicos?

Homens acima de 40-50 anos, fumantes, hipertensos,  pessoas com níveis elevados de colesterol, asma, artrite, osteoporose, ou indivíduos com antecedentes de infarto ou que já tiveram angina (dor no peito de origem coronariana) devem buscar orientação médica antes de realizar qualquer exercício físico.

Quando é necessário fazer uso de medicamentos para emagrecer?

O tratamento medicamentoso para obesidade deve ser sugerido em pacientes com IMC acima 30 ou por volta de 27 quando associado a outros problemas de saúde, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, …).

Esse tratamento só é eficaz quando associado a uma mudança de hábitos, a partir de uma dieta adequada e a prática de exercícios físicos. Razões estéticas não justificam a indicação de uso de medicamentos.

É importante salientar que o uso de uma série de remédios (diuréticos, laxantes, estimulantes e sedativos etc) não teve sua eficácia comprovada cientificamente.

Quando está indicado o tratamento cirúrgico da obesidade?

A cirurgia bariátrica deve ser considerada em pacientes obesos grau III (obesidade mórbida- IMC superior a 40,00) ou em obesos grau II (IMC de 35 a 39,9) com doenças associadas ao excesso de peso e que não obtiveram sucesso no tratamento clínico.

Como se previne a obesidade?

A obesidade pode ser evitada desde a infância, a partir do incentivo a uma dieta saudável  e da prática de esportes, evitando-se que as crianças apresentem sobrepeso. Nessa fase, o lazer, os relacionamentos afetivos e o equilíbrio familiar são fundamentais nesse contexto.

Em pacientes que apresentavam obesidade a manutenção de um estilo de vida saudável, com dieta adequada, prática regular de exercícios físicos e suporte emocional auxiliam busca pelo peso ideal.

Colaboração: Dr. Paulo Rosenbaum, médico endocrinologista, e acadêmica Gabriela Maia Mota.

Este material tem propósito informativo e não dispensa a necessidade de consulta a profissional qualificado e habilitado.

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