A fibrilação atrial é uma das arritmias mais comuns, sendo caracterizada por uma seqüência de batimentos cardíacos irregulares e com freqüência variada. Uma anormalidade no sistema elétrico do coração é a causadora da fibrilação atrial e de outros tipos de arritmia.
Na fibrilação atrial, os sinais elétricos que se originam nas duas câmaras superiores do coração (átrios) estão desorganizados e o coração se contrai de uma forma rápida e irregular. O sangue situado no interior dos átrios não é bombeado completamente para o interior dos ventrículos e neste caso as câmaras superiores e inferiores do coração não trabalham de uma forma harmônica como ocorre numa situação normal.
Freqüentemente, pessoas que têm fibrilação atrial podem não sentir sintomas. No entanto, mesmo quando não notada, a fibrilação atrial pode aumentar as chances de se ter um derrame cerebral. Isto ocorre porque são formados coágulos no interior dos átrios e por ocasião da contração cardíaca eles podem migrar do coração para o cérebro. Em muitos pacientes, particularmente quando o ritmo for acelerado, pode ocorrer dor torácica. Esta arritmia pode ter um caráter agudo com o número de batimentos muito elevado e revertendo para o ritmo normal depois de algumas horas ou até poucos dias. Porém em muitos casos, a arritmia torna-se crônica e na maioria deles o número de batimentos cardíacos, embora irregulares, não se encontra elevado. Em geral, isso acontece quando o paciente é submetido a um tratamento que só o médico tem condição de propiciar.
Em pessoas com mais de 80 anos, a incidência de fibrilação atrial crônica na população chega a atingir níveis entre 10% a 15%.
Muitos pacientes não apresentam sintomas, porém, palpitações rápidas e irregulares são os sintomas mais comumente referidos principalmente nos casos agudos. Devido à perda da contração atrial, existe uma redução da função cardíaca (débito cardíaco), que pode acarretar alguns sintomas como respiração curta, falta de ar, tonturas ou vertigens e dor no peito. Assim, conforme já referido, o sangue tende a formar coágulos aderentes às suas paredes, devido a velocidade reduzida do mesmo no interior das câmaras cardíacas, podendo às vezes desprender-se e alcançar os pulmões (quando o coágulo se origina no lado direito do coração), o cérebro e outras partes do corpo embolia sistêmica (quando se origina no lado esquerdo do coração). Caso estes coágulos atinjam o cérebro, uma rápida paralisia pode ocorrer (acidente vascular cerebral embólico). A embolização nos pulmões acarreta uma lesão dos tecidos pulmonares (enfarte pulmonar). Quando o coágulo atinge as extremidades dos membros superiores e inferiores, pode ocorrer comprometimento da irrigação local, arroxeamento e dor intensa.
Diagnosticar a fibrilação atrial crônica ou sustentada não é uma tarefa árdua.
Com o uso do estetoscópio, o médico pode ouvir batimentos rápidos e irregulares ou detectar batimentos irregulares ao palpar o pulso do paciente.
Por meio do eletrocardiograma, observa-se um traçado com batimentos irregulares. Pode-se também detectá-la com o uso de uma monitorização eletrocardiográfica contínua (sistema de gravação: holter), que é muito útil quando a ocorrência desta arritmia é intermitente e infreqüente.
Ao se diagnosticar a fibrilação atrial, é necessário buscar sua causa. Dentre estas, pode-se constatar altos níveis de pressão arterial e sinais de insuficiência cardíaca, observados no exame físico do paciente. Testes sanguíneos também podem ser realizados, visando detectar anormalidades de oxigenação, nos eletrólitos ou no nível de hormônio tireoideano. A radiografia de tórax pode revelar aumento do coração, congestão pulmonar ou outras alterações pulmonares. O teste de esforço em esteira graduada, com eletrocardiograma contínuo, pode revelar a existência de doença coronariana. A ecocardiografia utiliza as ondas ultrassonográficas para reproduzir uma imagem das câmaras cardíacas, das válvulas e da membrana que envolve o coração (pericárdio). Condições como prolapso da válvula mitral, doença valvar reumática e pericardite (inflamação da membrana que envolve o coração) podem ser detectadas com a ecocardiografia. Este método é também bastante usado para a avaliação das dimensões da cavidade atrial. A dimensão atrial é um importante fator na determinação da resposta do paciente ao tratamento: é muito mais difícil restabelecer e manter o ritmo normal num paciente com grande câmara atrial.
O tratamento para fibrilação atrial visa recuperar o ritmo normal do coração, controlando a freqüência cardíaca, prevenindo a formação de coágulos de sangue no interior do átrio e reduzindo os riscos de derrame cerebral.
Inicialmente, os seguintes medicamentos podem ser usados para tratar a fibrilação atrial:
O tratamento com intervenção cirúrgica pode ser considerado quando:
O tratamento cirúrgico também pode ser indicado quando a cirurgia é necessária para tratar uma doença cardíaca preexistente, tais como doença valvar ou doença da artéria coronária
Para determinar se o tratamento cirúrgico para fibrilação atrial é apropriado, uma avaliação completa será requisitada, incluindo:
Depois da avaliação, o cardiologista clínico e o cirurgião discutirão suas opções de tratamento e se realmente há indicação para cirurgia.
Este material tem propósito informativo e não dispensa a necessidade de consulta a profissional qualificado e habilitado.