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AVC


Acidente Vascular Cerebral

Informações para pacientes e familiares

Colaboração do Dr. Alexandre Pieri – Médico Neurologista.

1. O que é AVC?

A sigla AVC significa acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral. O AVC é uma doença que leva à uma falta de sangue no cérebro, em decorrência de uma alteração arterial. Essa falta de sangue em uma determinada área do cérebro provocará a morte desta.

2. Quais são os tipos de AVC ?

Existem dois tipos de AVC; o acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) e o acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCh). No acidente AVCi ocorre uma obstrução da artéria levando à falta de sangue na área cerebral nutrida por essa artéria. No AVCh ocorre um rompimento de uma artéria cerebral levando, também, à uma falta de sangue. Porém no AVCh o maior problema está relacionado com a formação de um hematoma, que corresponde ao sangue extravasado da artéria que irá comprimir outras áreas do cérebro, podendo levar à morte.

3. Qual é o tipo de AVC mais comum?

O tipo mais comum de AVC é o isquêmico (AVCi), que é responsável por cerca de 85% dos casos.

4. Qual é o tipo mais grave de AVC?

De um modo geral o hemorrágico (AVCh) é considerado mais grave, porém a gravidade irá depender do tamanho e da localização do AVC. Quanto maior a extensão do AVC mais grave ele será. Por outro lado, um AVC que provoque lesões pequenas que acometam áreas cerebrais vitais, como as relacionadas com a respiração, poderá ser mais grave.

5. Quais são as causas de AVC?

O AVC é o resultado final de diferentes doenças, podendo haver inúmeras causas.
No AVCh (hemorrágico) as principais causas são: hipertensão arterial sistêmica (HAS), distúrbios da coagulação sangüínea (doenças que deixam o sangue mais fino), medicamentos anticoagulantes e doença amilóide (doença mais comum em idosos que pode levar a fragilidade das artérias cerebrais. Um subtipo de AVCh é denominado hemorragia meníngea ou subaracnóide. Nesses casos ocorre sangramento para dentro das meninges, que são membranas que revestem o cérebro. O aneurisma cerebral (uma dilatação localizada na parade da artéria, decorrente da fragilidade desta) é a principal causa deste tipo de AVCh.

No AVCi (isquêmico) as principais causas são:

  • Doença aterosclerótica de grandes artérias: nesses casos ocorre uma inflamação crônica e um depósito de gordura na parade de uma artéria cerebral de maior calibre. Essa inflamação com depósito de gordura leva à obstrução da artéria. Essa inflamação e o depósito de gordura localizado em uma artéria maior pode romper e liberar fragmentos menores dentro da artéria, os quais poderão migrar para uma artéria menor, levando à obstrução desta.
  • Cardioembolia: Doenças do coração como algumas arritmias (fibrilação atrial), doenças das válvulas cardíacas ou insuficiência cardíaca podem levar à formação de coágulos que se liberados na corrente sangüínea podem obstruir uma artéria cerebral.

Inúmeras outras doenças que provocam inflamação ou fragilidade das artérias e favorecem a formação de coágulos (trombos) podem levar a um AVCi.

6. O AVC é uma doença comum?

O AVC esta entre as três principais causas de morte no mundo, sendo que no Brasil é a principal. Essa doença possui um grande impacto sócio-econômico, pois mais da metade das pessoas que apresentam um AVC evoluem com seqüelas limitantes.

7. Quais as pessoas que apresentam um risco maior para desenvolver esta doença?

Os fatores de risco cardiovasculares são fatores, como hábitos de vida, situações ou doenças que aumentam as chances de uma pessoa ter uma doença cardiovascular. Esses fatores podem ser modificáveis e não modificáveis. Os fatores de risco modificáveis são aqueles em que se é possível intervir levando à mudanças nesses.
O AVC é uma doença que pode ocorrer em qualquer idade, raça e sexo, porém existem grupos com maior chance de desenvolver essa doença.
O principal fator de risco não modificável para AVC é a idade. A cada década após os 55 anos de idade o risco de AVC dobra. História familiar e a etnia também são fatores não modificáveis importantes.
Por muito tempo o AVC foi considerado uma doença mais comum em homens, porém atualmente observa-se um importante aumento no número de mulheres acometidas. Esse fato pode estar relacionado a uma maior exposição das mulheres aos fatores de risco cardiovasculares. Outro dado que leva ao aumento dos casos em mulheres é a maior expectativa de vida desse grupo.
A hipertensão arterial sistêmica (pressão alta) é o principal fator de risco modificável para AVC isquêmico e hemorrágico.
Os fatores de risco modificáveis que favorecem a ocorrência do AVC são: diabetes, aumentos dos níveis de colesterol (dislipidemia), tabagismo, alcoolismo excessivo, sedentarismo, estresse e obesidade abdominal.

8. Como reconhecer o AVC?

Os sinais e sintomas decorrentes de um AVC dependerão da área cerebral afetada. Os mais comuns são:

  • Perda de força, formigamento ou perda da sensibilidade de um lado do corpo (pode ser restrito à face e aos braços);
  • Desvio da rima labial (sorriso caído);
  • Fala desconexa ou dificuldade para formar frases e palavras;
  • Dificuldade para entender o que outras pessoas dizem;
  • Perda da visão em um olho ou em um campo visual e visão dupla;
  • Tontura súbita;
  • Dor de cabeça de início súbito e de forte intensidade

Os sintomas tendem a aparecer rapidamente e podem ocorrer isoladamente ou combinados.
Em alguns casos os sinais e sintomas podem se resolver totalmente não deixando seqüelas e quando isso ocorre em menos de 1 hora, sem levar à alteração nos exames de imagem, o quadro recebe o nome de ataque isquêmico transitório, que é popularmente conhecido como ameaça de derrame. Nesses casos também é necessário procurar imediatamente o hospital, pois o risco de ter um AVC após um ataque isquêmico transitório é grande.

9. O que fazer na presença dos sinais e sintomas?

A melhor ação frente aos sinais e sintomas do AVC é procurar imediatamente um Serviço Médico de Emergência. Se houver
condições, o paciente deve ser levado pela família e caso não seja possível um serviço de resgate deve ser acionado. Na presença dos sinais e sintomas de AVC jamais criar a esperança que os sintomas vão melhorar com o passar do tempo sem assistência médica especializada.
Portanto, na suspeita de AVC o paciente deve ser levado o mais rápido possível para um serviço médico especializado que tenha estrutura física e equipe capacitada para melhor atender ao paciente.
O paciente com sinais e sintomas de AVC deve ser mantido deitado e mesmo que a pressão esteja alta, nenhum medicamento deve ser dado com o intuito de reduzir a pressão, antes do paciente chegar ao hospital. Nesse momento a pressão alta pode estar ajudando a garantir o fluxo de sangue para o cérebro.

10. Como é realizado o diagnóstico de AVC?

O diagnóstico é baseado na avaliação médica complementada por exames de imagem.
A tomografia computadorizada de crânio possibilita afastar hemorragia intracraniana e outras doenças como tumores que podem dar sinais e sintomas semelhantes ao AVC. Nos casos de AVCi (isquêmico) a tomografia pode não mostrar alterações nas primeiras horas, sendo o exame clínico realizado pelo médico essencial. A tomografia é um exame mais rápido e está disponível na maioria dos grandes hospitais.
A ressonância magnética tem a capacidade de mostrar precocemente as lesões decorrentes de um AVCi.

11. Qual o tratamento?

O melhor tratamento para o acidente vascular cerebral é a prevenção. Porém, quando ele ocorre, o atendimento deve ser imediato e em um hospital especializado. Quanto mais rápido o atendimento for realizado maiores serão as chances do paciente sobreviver e ficar sem seqüelas.
Se o paciente for atendido rapidamente, preferencialmente nas primeiras três horas após o inicio dos sinais e sintomas do AVCi, ele pode receber uma medicação por via endovenosa que agirá desobstruindo a artéria. Caso os sinais e sintomas se iniciaram após 3 horas, em alguns casos bem selecionados, há a possibilidade de se realizar um procedimento invasivo (cateterismo cerebral) e administrar o medicamento diretamente no ponto de obstrução da artéria cerebral. Esse medicamento recebe o nome de trombolítico, pois haje dissolvendo o trombo (coágulo) que está obstruindo a artéria cerebral.
Mesmo que o paciente não receba esse medicamento, quanto antes ocorrer o atendimento maiores são as chances de uma boa evolução. Os cuidados gerais como controle adequado da pressão arterial, glicemia (açúcar no sangue), temperatura e a prevenção de complicações são essenciais nas primeiras horas do AVC. A equipe interdisciplinar formada por médico, enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais fazem muita diferença no prognóstico dos pacientes com AVC. O local ideal para um paciente com AVC permanecer nos primeiros dias é a Unidade de Terapia Intensiva.

12. Como prevenir um novo AVC?

Depois de um primeiro AVC as chances de um segundo evento aumentam. Com isso é necessário investigar a causa do AVC para iniciar precocemente a prevenção de um segundo evento. Nesses casos chamamos de prevenção secundária o conjuntos de ações tomadas para evitar esse novo evento.
Além das mudanças nos hábitos de vida e tratamento dos fatores de risco cariovasculares, nos casos de AVCi, são recomendados medicamentos antitrombóticos que hajem diminuindo as chances de formação de trombos nas artérias. Dependendo a causa do AVC podem ser necessários procedimentos invasivos, como cirurgia ou colocação de um stent na artéria comprometida. A cirurgia consiste em abrir a artéria e retirar a placa de gordura e o stent consite na colocação de um dispositivo por via intra-arterial que irá reabrir a artéria garantido um fluxo de sangue adequado.
A abordagem visando a prevenção secundária é direcionada na causa do AVC. Esta causa pode ser estabelecida através de exames complementares como, por exemplo, o eletrocardiograma para a avaliação de arritmias, ecocardiograma para avaliação da função do coração, ultra-som com Doppler e angiografia por tomografia ou ressonância para avaliação das artérias cerebrais.

13. O que é reabilitação após o AVC?

A reabilitação consite no conjunto de medidas realizadas visando que o paciente readquira o estado mais próximo ao que estava antes de ter o AVC. O objetivo principal é capacitar o paciente a voltar às suas atividades diárias. Essas medidas devem ser iniciadas precocemente no ambiente hospitalar e devem ser continuadas após a alta. Esse trabalho é realizado por uma equipe interdisciplinar a depender das necessidades individuais de cada paciente.
O apoio familiar, com paciência e carinho é extremamente importante para a melhora do paciente.

Este material tem propósito informativo e não dispensa a necessidade de consulta a profissional qualificado e habilitado.

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