Raízes – Entrevista com Elias Knobel, fundador e diretor da UTI e vice-presidente do Hospital Albert Einstein.
Esteve em nossa cidade, há poucos dias, convidado que foi para fazer quatro palestras sobre Cardiologia e Terapia Intensiva, o Dr. Elias Knobel, professor, vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein.
Acostumado a fazer palestras e apresentações em nível nacional e internacional, o Dr. Elias, desta vez emocionou-se a valer quando contou ter nascido (1943) e residido em Marília até o ano de 1955. Pediu licença para mostrar a foto anexa, contou a história de sua família desde a saída precipitada da Polônia, até a decisão de virem fixar residência em nossa cidade recém-fundada e a saga da comunidade judaica.
Filho de Abraan Knobel e sobrinho de Bejamin Knobel (mesmo nome do Edifício Bejamin Knobel na esquina das ruas Sampaio Vidal e 9 de Julho), o Dr. Elias nasceu à rua Prudente de Moraes, entre as ruas 4 de Abril e São Luiz.
Passou a infância na rua Carlos Gomes, 530, em frente à Sinagoga do Rabino Singal, onde a comunidade judaica de Marília e da redondeza, como Garça, Pompéia, Vera Cruz e outras, costumava se reunir nas grandes festas. Aqui estudou até os 13 anos com especial lembrança da Professora Ruth Mamed de Godoy e Professor Guilherme do 2º Grupo Escolar. Entre seus amigos de infância, lembra-se de Cezar Baaklini, Fausto Alonso, Osvaldo e Milton Nakamura, Tetsuo Okamoto, Pina e outros.
Contou que seu pai, Abraan, quando chegou em Marília em 1936, passou uma semana comendo só bananas. Depois de mascatear, abriu à rua 9 de Julho a “Casa Dois Irmãos” transferindo-a, mais tarde, para a rua Prudente de Moraes, onde Elias nasceu.
A foto que nos cedeu foi tirada em 1950, na residência dos Zaterka, rua Prudente de Moraes, esquina com a 4 de Abril, na parte superior da loja Nova América, onde foi projetado um filme da guerra da independência do Estado de Israel, que havia sido recém-criado.
Na foto, Dr. Elias, ainda garoto, está entre os familiares dos Knobel, Fridman, Kopelman, Oksman, Speiter, Zatyrco, Zaterka, Beznos, Tigel, Klepacz, Singal e outros que iniciaram a vida mascateando (os tradicionais “Klienteltschiks”) nos quatro cantos da então “Shteitl” (pequena cidade) Marília, contemporânea pós-holocausto.
Nos dois dias que passou em Marília, o Dr. Elias visitou e recordou lugares onde viveu com sua família e se emocionou quando falou em seus avós maternos que morreram nos fornos da Polônia. Lembrou que, para os judeus, o lema da cidade é mais válido do que nunca: “Cidade Símbolo de Amor e Liberdade”, pois, os acolheu de forma fraterna, amistosa e sem discriminação. Agradeceu por tudo que ela fez para a comunidade judaica, em tempos difíceis e de luta por uma nova vida. Referiu-se à oportunidade que os filhos da sua comunidade tiveram galgando níveis elevados e formação, que não lhes eram permitidos na Europa, intolerante e discriminadora.
Os judeus saíram de Marília procurando escolas superiores para seus filhos. A família não descuida, por nenhum momento dos seus jovens. O amor materno da mãe judia, extrapola tudo. Se a mãe brasileira diz: “Coma se não você apanha”! A mamãe judia diz: “Coma se não eu me mato!”
Elias Knobel pretende trazer os pais (ele com 93, ela com 89 anos) para uma reunião de confraternização e agradecimentos. Espera comunicar-se com os representantes das entidades que congregam a comunidade judaica, para sugerirem e orientarem (se estiverem de acordo), qual seria a melhor forma de prestar uma homenagem a Marília que, para os judeus, foi uma verdadeira “Cidade de Amor e Liberdade”.