Mensagem de fim de ano

Prezados amigos,
aproxima-se mais um novo ano e, como de costume, o mundo se prepara para comemorar esta passagem. É uma época em que o calor humano e o da natureza se tornam resplandecentes em um país tropical como o nosso.
O ano de 2009 foi bom para muitas pessoas. Nosso país reagiu bem à crise econômica e esperamos que isso perdure. Porém, para muitos , e em particular para mim e minha família, o fim de 2009 foi marcado por uma perda que será inesquecível. Perdi minha querida mãe.
Muitos me dizem que ela já era idosa e descansou em paz. Porém tive, mais uma vez, um aprendizado nesta vida: não existe idade para uma mãe nos deixar, e, mesmo no meu caso, que tive o privilégio e a felicidade de conviver com meus pais por mais de dois terços da vida, a falta é irreparável e muito dolorosa.
Ao receber a notícia, não assimilei inicialmente a exata dimensão do ocorrido, pois isto, em geral, “só acontecia com os outros”. Mas tive que assumir, com emoção, a verdade incontornável. De repente, eu, que era um espectador no teatro da vida, passei a ser o protagonista da peça, e sem direito a ensaio.
Aprendi muito em meio a esta dor indescritível. Como é importante uma palavra de conforto e de apoio dos amigos! Recebi telefonemas, emails, telegramas e contatos de tantas pessoas que nem poderia imaginar. Não sei como agradecer. A reunião e as rezas da família nos sete dias que sucedem o óbito atenuam o sofrimento da alma e nos obrigam a pensar um pouco mais no significado da vida. É um costume sábio e importante da tradição judaica.
Minha querida mãe não era uma pessoa de muito destaque na sociedade. Não era professora, nem artista, nem possuía qualquer título universitário. Porém, no seu currículo, o título mais importante era ser mãe, minha mãe: uma catedrática da vida, uma típica mãe judia, muito semelhante às italianas, árabes e outras, que concebem um ser humano e dão suas vidas para protegê-los.
Minha querida Cyrla foi assim, provavelmente uma das poucas que, após uma delicada carícia, me dizia que eu era muito bonito, elegante e querido. Uma verdadeira mãe-coruja. Talvez eu não tenha valorizado estas atitudes das quais, hoje, sinto tanta falta. Meu coração está pequeno e partido, a sensação de perda é inestimável.
É bem verdade o provérbio chinês que diz: “você pode plantar o que quiser, mas será obrigado a colher o que semeou”. E minha mãe e meu pai plantaram e conseguiram, com muito esforço, estruturar uma família sólida, com filhos, noras, netos e bisnetos, que sempre os amaram e respeitaram.
Sei que o tempo vai atenuar este sentimento de perda, que muitos que me lêem já tiveram. Mas nunca irei esquecer a minha querida mãe.
Muito obrigado, de coração, a todos que ofereceram este conforto a mim e à minha família.
Boas festas e feliz ano a todos .
Elias Knobel





