“Doutor, sua balança está errada!”

Um dos questionamentos que mais comumente são colocados pelos pacientes no atendimento em nosso consultório, é sobre a fidelidade dos números registrados na hora de verificar o peso. É tão comum os pacientes questionarem o valor constatado de seu peso corporal, afirmando:
- Doutor esta balança está errada!
Esse fato tem sido tão comum e tão rotineiro que, mesmo antes do paciente fazer esta pergunta, já tomo a iniciativa de dizer:
- Parece mesmo que essa balança está errada!
Geralmente o paciente concorda, mas eu continuo perguntando:
- Ela deve estar errada, mas para mais ou para menos?
Já mandei fazer todos os tipos de regulagem da balança, mas se eu me basear na opinião da maioria dos pacientes, ela deve estar com um defeito sem solução.
Ainda sorrindo discretamente e procurando não deixar o paciente constrangido, pergunto:
- Mas você acha que come uma quantidade suficiente para justificar esse peso “um pouco elevado”?
E invariavelmente ouço a seguinte resposta:
- Doutor eu não como quase nada!
Nessas alturas o paciente já percebe que existe um tom jocoso em minhas perguntas, pois pretendo com isso manter um ambiente de relacionamento mais agradável.
Ainda com esta linha de pensamento e com o intuito de provocar o paciente, eu digo:
- Mas isto é muito comum aqui no meu consultório. Eu tenho uma série de amigos clientes que tem um metabolismo inusitado, não comem e engordam. Até pensei em solicitar a dieta de meus pacientes e contribuir para o programa “Fome Zero” e encaminhar para populações carentes e caquéticas da África e, mesmo aqui no Brasil, que não comem quase nada e são magras.
Na verdade o controle de peso é uma tarefa extremamente difícil, mesmo porque mexe em aspectos psicológicos, emocionais e naquele que é um dos maiores prazeres da vida.
É muito fácil recomendar ao paciente uma dieta balanceada, com baixas calorias, acompanhado de exercícios físicos, etc. Se isto fosse de fácil execução, todos teriam um peso ideal e seriam esbeltos. Porém a realidade é outra: fatores metabólicos, constitucionais, genéticos, nutricionais, emocionais e muitos outros, interferem nessa dura tarefa de fazer o paciente chegar ao seu peso ideal.
Uma atuação multiprofissional, muitas vezes torna-se indispensável, mas talvez um dos principais fatores é a motivação que o paciente tem para atingir aquele objetivo, mesmo porque cada vez mais constata-se que a obesidade é um importante fator de risco para doenças cardiocirculatórias. Ninguém melhor do que seu médico de confiança para orientá-lo a atingir este propósito.
Comentários (2)






Dr. Elias, parabéns pelo blog. Tá demais!!!
Excelente post.
Realmente todas as pessoas sabem a receita para perder peso, mas parecem esperar uma fórmula mágica que permitirá emagrecerem comendo tudo o que querem.
Como sabemos que essa formula não existe, o melhor mesmo é nos conscientizarmos da importância de termos uma dieta saudável e uma pratica constante de excercícios.
…mas enquanto isso não acontece, vou sonhando com a fórmula mágica…
abs,
Rodrigo
Não acho que sua balança esteja errada;
Doutor, será que o seu esfigmomanômetro está certo?
A minha pressão é sempre alta quando vou ao seu consultório.
Parabens pelo comentário da balança.
Será que balança e esfigmomanômetro não serão fontes inspiradoras para escrever o próximo livro ?
Suely