É seguro ir ao hospital durante a pandemia do COVID-19?

Prezados amigos

Tenho constatado que, em geral, alguns pacientes preferem não comparecer aos serviços de emergência com receio de contrair alguma doença. Mas em épocas de epidemias, como as que já enfrentamos, isso é mais evidente. No momento atual com a COVID-19, os pacientes tem evitado ir a qualquer ambiente hospitalar. Como consequência tem sido observado uma redução no numero de atendimento e internações hospitalares. Por outro constata-se um aumento na mortalidade de algumas doenças passiveis de tratamento. Pacientes com doenças cardíacas evitam ir ao hospital e acabam tendo infarto em suas casas que muitas vezes culminam em óbito. O Hospital Israelita Albert Einstein, onde atuamos, está muito bem preparado adotando todas medidas de segurança necessárias, protegendo assim os profissionais de saúde e os pacientes. Nesse período estamos tendo uma boa experiência em atender os pacientes a distância, a teleconsulta, que esta cada vez mais incorporada a prática assistencial. Ao mesmo tempo temos feito atendimentos tradicionais em consultório, em escala cada vez maior, adotando todos os cuidados e precauções necessários.

O artigo abaixo relata experiências sobre esse assunto.

Dr Elias Knobel e Dr Marcos Knobel

É seguro ir ao hospital durante a pandemia do COVID-19?

Quando preocupações sobre o contagio do coronavírus levam as pessoas a permanecerem fisicamente distantes, isso é realmente saudável e deve ser feito. Porem quando esses receios levam as pessoas com alguma doença a evitar os hospitais, isso pode ser perigoso.

Os médicos têm geralmente recomendado: “Se a sala de emergência é segura e se for necessário, então você deve ir”

Os hospitais estão atualizando os procedimentos de segurança de várias maneiras, disse a Dra. Patricia Best, cardiologista intervencionista da Mayo Clinic, em Rochester, Minnesota.

“Com essa pandemia provavelmente continuando por meses, se não um ano ou mais, precisamos garantir que as pessoas recebam atendimento oportuno de tudo que necessitam.” E isso significa que se alguém está “tendo algo que, em outro dia, chamaria uma ambulância, deveria procurar um serviço de emergência”.

Um estudo recente, de abril, do Journal of American College of Cardiology disse que as admissões por um tipo grave de ataque cardíaco (infarto do miocárdio) caíram 38% após 1º de março, após a pandemia. Nas reportagens, as pessoas citaram especificamente as preocupações com o coronavírus como o motivo para evitar hospitais.

Dr. Phillip L. Coule, vice-presidente e diretor médico do Sistema de Saúde da Universidade Augusta, na Geórgia, disse que as internações em seu hospital caíram de 25% a 40%.

“Os riscos apresentados por ignorar ataques cardíacos e derrames são muito maiores do que os riscos apresentados pelo COVID-19 e por procurar atendimento médico”.

Isso é verdade mesmo nas cidades onde a incidência do coronavirus é elevada, disse a Dra. Alice Jacobs, professora de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston.

O cuidado rápido é a chave para a sobrevivência, disse ela. “A relação entre a abertura da artéria obstruída que causa o ataque cardíaco e a chance de morrer é medida em minutos”. E os funcionários do hospital precisam de mais tempo agora para permitir medidas de segurança contra o coronavírus.

Atualmente todo o processo de atendimento emergencial está se adaptando, começando nas ambulâncias, que estão sendo descontaminadas para evitar o contagio com o COVID-19.

Nas instalações de Coule, os pacientes com sintomas de COVID-19 estão sendo desviados na entrada da sala de emergência para uma área separada, para que não se misturem com pacientes que têm problemas que não são do COVID-19.

Na Clínica Mayo, o laboratório de cateterismo de Best – a parte do hospital que avalia e trata pacientes cardíacos – também fez alterações. Os pacientes estão sendo atendidos pelos profissionais com equipamento de proteção completo e o acesso a membros da família é restrito.

Outras mudanças são técnicas: os procedimentos de limpeza são mais rigorosos e existe uma redução do número de profissionais expostos a pacientes potencialmente infectados.

Preocupações com as pessoas que não seguiram esse conselho levaram os líderes de oito organizações de saúde, incluindo o Colégio Americano de Cardiologia, a Heart Rhythm Society e a AHA, a emitir uma declaração em abril que dizia: “Ligar para o 911 imediatamente ainda é sua melhor chance de sobreviver ou salvar.” uma vida.”

Dr Coule concordou e disse: “se você está tendo… sintomas de ataque cardíaco ou derrame, as consultas por telemedicina ou a distância não são adequadas”. Esses são pacientes que precisam ser atendidos em um departamento de emergência qualificado e capaz de cuidar deles. Isso é verdade em qualquer dia e isso é verdade durante o COVID-19″.

Esse mesmo médico enfatizou: “Eu diria aos meus pais, que são sobreviventes de doenças cardíacas, que, se precisassem de um procedimento, é perfeitamente seguro entrar e fazer o procedimento agora”, disse ele. “Eu não me preocuparia com a segurança deles ou com o potencial de pegar o COVID-19 no hospital”.

Fonte: Health Day – American Heart Association News ( 4-5-20)