O óleo de coco é prejudicial ou não a saúde?

O óleo de coco é prejudicial ou não a saúde?

Durante anos, o óleo de coco tem tido uma boa reputação como uma alternativa para aqueles preocupados com a saúde. A maioria dos especialistas agora concorda que essa reputação não é merecida. Porém um professor da Harvard University está indo muito além, argumentando que o óleo de coco equivale a “puro veneno”.

Karin Michels, professora adjunta de epidemiologia na Harvard’s T.H. Chan School of Public Health, em julho fez uma sobre o “Óleo de coco e outros erros nutricionais” e traduzida pela Business Insider Deutschland, argumentando que o óleo de coco é “puro veneno”.

De acordo com o “Well”, do New York Times, poucos especialistas têm “uma visão tão rigorosa contra o óleo de coco”, mas muitos questionaram sua recente popularidade como alimento saudável.

História do óleo de coco

O óleo de coco tem sido usado como agente de cozimento e beleza por séculos, relata Vox, e ao longo dos anos entrou e saiu de moda como alimento saudável. O óleo inicialmente caiu em desgraça para cozinhar na década de 1950 devido a sua alta concentração de gordura saturada, que tem sido associada a doenças cardíacas. Mas até 2016, as pesquisas mostraram que 70% dos americanos consideravam o óleo de coco uma escolha consciente e saudável.

A reputação saudável do óleo de coco deriva em parte de artigos publicados em 2003 sob a supervisão de Marie-Pierre St-Onge, professora de nutrição da Columbia University. Os jornais científicos mostraram que comer e cozinhar com “ácidos graxos de cadeia média”, como aqueles encontrados no óleo de coco, podem ajudar os que estão em dieta para perder peso.

De acordo com Vox, um estudo de 2008, também realizado pela professora St-Onge, promoveu a popularidade do produto como alimento saudável. O estudo revelou que as pessoas que consumiam alimentos cozidos em óleo contendo triglicerídeos de cadeia média perdiam mais peso se comparado àquelas que consumiam com azeite de oliva.

As descobertas levaram a alegações de que o óleo de coco poderia ajudar na perda de peso – embora St-Onge tenha advertido que os dados foram “extrapolados de forma muito liberal”, afirmando nunca ter feito um estudo sobre o óleo de coco.

 

O que a pesquisa mostra

A American Heart Association (AHA) em 2017 procurou esclarecer a confusão emitindo um comunicado informando que o óleo de coco aumenta o colesterol LDL, considerado “ruim”, que se deposita nas paredes arteriais, tornando-as duras e estreitas, devendo, portanto ser evitado.

Alice Lichtenstein, professora de ciência e política de nutrição da Tufts University, disse: “Não há praticamente dados para apoiar a campanha publicitária” em torno do óleo de coco. Embora haja pouca pesquisa em geral sobre os efeitos do óleo de coco na saúde das pessoas, Lichtenstein disse: “Parece não haver nenhum benefício independente em consumi-lo”.

Walter Willett, professor de epidemiologia e nutrição em Harvard, escreveu em um post no blog, “Gordura na dieta, saturada ou não saturada, tende a elevar os níveis de HDL, mas o óleo de coco parece ser especialmente potente em elevar o nível.”

O óleo de coco é realmente “veneno”?

Apesar da retórica usada recentemente para descrever o óleo de coco, Willett teve uma visão mais moderada. Enquanto ele concordou que “nós realmente não temos nenhuma evidência de benefícios para a saúde em longo prazo” do óleo de coco, ele disse que esse óleo está “em algum lugar no meio do espectro em termos de tipos de gorduras”. Ele argumentou: “Provavelmente é melhor do que os óleos parcialmente hidrogenados, que são ricos em gorduras trans, mas não tão bons quanto os óleos vegetais mais insaturados que provaram benefícios para a saúde, como o azeite de oliva e óleo de canola”.

Além disso, de acordo com “Well” da New York Times, um grande estudo recente mostrou que o ácido láurico – comumente encontrado no óleo de coco – não parece aumentar o risco de doença cardíaca tanto quanto outros ácidos graxos saturados, como o ácido palmítico, que é encontrado na manteiga.

Como regra geral, Willett disse que o óleo de coco é bom em quantidades menores, mas outros óleos são melhores para o uso no dia-a-dia. “Não é que você tenha que absolutamente evitar o óleo de coco, mas limitar o seu uso para receitas onde realmente é necessário esse sabor especial, como para comida tailandesa ou para assar uma sobremesa especial”, disse ele.

 

Fonte: Advisory Board

https://www.advisory.com/international/weekly-roundup/2018/09/17/coconut-oil