Shaná Tová 5779: almejando um ano melhor

Shaná Tová 5779: almejando um ano melhor

Prezados amigos,

As comemorações do Rosh Hashaná, o ano novo judaico (5779) que agora se iniciam, culminam com uma das datas mais sagradas do judaísmo, o Yom Kippur, o “dia do perdão”.

Gostaria muito de iniciar essa mensagem relatando fatos novos e auspiciosos, e desejando um ano melhor para todos os amigos e familiares.

Mas o que está acontecendo atualmente é mais sério do que tem ocorrido em outros anos. Vivenciamos um momento extremamente difícil em todos os aspectos: econômico, moral, com injustiças e corrupção transbordando limites jamais imagináveis.

Desejar um ano novo é praxe. Porém, essa é uma rotina que infelizmente não está se perpetuando. Muito pelo contrário… O que presenciamos no dia a dia é um mundo caracterizado por guerras, conflitos, discriminação, ressurgimento do antissemitismo, islamofobia, um crescimento enorme no numero de refugiados desesperados, buscando a sua sobrevivência em diversos continentes, ressurgimento de movimentos neonazistas e uma evidência de intolerância, xenofobismo e injustiça social.

Nosso país, tão tradicionalmente aclamado como o país do futuro, vive momentos de incertezas, intolerâncias, inimizades causadas por fatores políticos, tentativas nem sempre bem sucedidas de combate a corrupção, exacerbação do analfabetismo, ressurgimento de doenças que pareciam ter sido eliminadas e que estão lembrando tempos medievais, etc…

Tenho a plena convicção de que não basta só rezar e pedir a um poder superior a solução desses problemas, pois o milagre da vida e as bênçãos da natureza nos propiciaram recursos e inteligência suficiente para que nós mesmos possamos solucionar as dificuldades que nos afrontam no dia a dia.

Como fazer para que cada um de nós tenha a consciência de que tudo só será possível com a nossa participação ativa sem a dependência de que algum político “milagreiro” possa utilizar uma “varinha mágica” e transformar nosso país em uma ilha da fantasia?

Seria tão bom se o jejum do Dia do Perdão (Yom Kippur) atenuasse  nossos pecados. Se o ato  de jejuar fosse suficiente, grande parte da humanidade estaria isenta de pecados, pois nesse mundo tão “evoluído e desenvolvido”, milhões e milhões de pessoas são vítimas da fome e obrigadas a jejuar diariamente.

Apesar dos pesares, a nossa nação tem historicamente enfrentado situações tão adversas, mas periodicamente parece ressurgir das cinzas e transparecer que finalmente estamos vivendo naquele país do futuro que tanto sonhamos. Infelizmente não podemos dizer isso neste momento.

Mas uma das características do povo brasileiro é que ele sempre teve muita esperança.

Vamos continuar ansiando por dias melhores, com muita saúde, sempre procurando dar o melhor que cada um de nós tem e contribuir para que o Brasil cresça e resplandeça, e que consigamos desfrutar de uma qualidade de vida e justiça social extensiva a todos os povos do mundo.

Queridos amigos, desejamos um Shaná Tová (feliz ano novo) e que todos os povos desse mundo sejam inscritos no livro da vida (Hatima Tová).

Elias Knobel e família