Qual é melhor dieta para o coração? – Portal Cardiologia Knobel

Qual é melhor dieta para o coração?

A recente controvérsia sobre erros metodológicos no estudo sobre os benefícios da dieta mediterrânea espanhola, PREDIMED, foi exagerada.

Os críticos ao referido estudo observaram que os pacientes não foram estritamente randomizados e chamaram os autores para prestar informações. Um estudo alocou todos os pacientes para uma dieta mediterrânea e uma mudança de protocolo não mencionada na publicação original resultou em alguns membros do agregado familiar dos participantes que foram randomizados para uma das dietas também sendo atribuída a essa dieta.

Os autores analisaram novamente o estudo levando em conta os erros metodológicos e o republicaram na prestigiosa revista New England Journal of Medicine. Os resultados foram essencialmente idênticos. A dieta mediterrânea suplementada com nozes reduziu o AVC em 46% em 5 anos em ambas as análises.

Embora as críticas metodológicas fossem precisas, os erros cometidos pelo estudo local não afetaram os resultados.

Além disso, este estudo espanhol, embora mais recente e maior, confirma em relação a prevenção primária o que muitos outros estudos já demostraram.

No Seven Countries Study, o risco coronariano em Creta era um décimo quinto do que era na Finlândia, onde as pessoas comem de forma mais semelhante aos norte-americanos e o risco era de apenas 40% no Japão, onde apenas 10% das calorias eram provenientes de gordura.

Livros e artigos recentes têm, com justificativa, demonizado dietas com baixo teor de gordura e alto teor de carboidratos, mas os apresentam como se fossem a única alternativa para uma dieta rica em gordura que é fortemente baseada no consumo de carne e ovos. Isso representa uma forma de dieta deletéria para o organismo.

A dieta mediterrânea é muito mal compreendida. Não é apenas uma dieta rica em carboidratos e baixo teor de gordura; é uma dieta rica em gordura e, portanto, uma dieta de baixo índice glicêmico. No estudo Seven Countries, 40% das calorias em Creta eram provenientes de gordura, principalmente azeite; enquanto na Finlândia, 38% das calorias eram provenientes de gordura, mas principalmente de gordura animal.

A maioria das pessoas acha que a dieta mediterrânea é rica em peixe e frango e pobre em carne vermelha. Isso é parcialmente verdade, mas a quantidade de carne animal é mal entendida. Em um artigo retrospectivo, Ancel Keys, PhD, o líder do estudo Seven Countries Study, descreveu “a boa dieta mediterrânea” como “uma dieta essencialmente vegetariana, favorecendo a fruta para a sobremesa… pobre em carne e laticínios”. A dieta privilegia a ingestão de grãos integrais, nozes, legumes (feijão, lentilha, grão de bico, etc.) e alto consumo de frutas e vegetais.

Assim, uma porção diária de carne animal de cerca de 113,40 a 226,8 gramas (ou mais), que pode ser a norma para a maioria dos norte-americanos, não está de acordo com a dieta mediterrânea. Seria mais ou menos 56,7 gramas por dia, principalmente peixe e frango, ou uma porção do tamanho da palma da mão a cada dois dias.

Os benefícios da Dieta Mediterrânea Cretense são provavelmente de dois tipos, negativos e positivos:

  • Substituindo o azeite de oliva por gordura animal saturada e seus componentes malignos, como colesterol, carnitina da carne vermelha e fosfatidilcolina da gema de ovo.
  • Alto teor de fibras, os componentes benéficos do grão integral, como antioxidantes e lignanas, e uma ampla gama de antioxidantes de frutas e legumes.

Muitas frutas e legumes obtêm sua cor e sabor de bioflavonóides: naringina em toranja, licopeno em tomates, resveratrol em uvas vermelhas, antocianina em mirtilos, etc. Um slogan útil é “devemos comer frutas e vegetais de todas as cores”. É por isso que o padrão alimentar é mais benéfico do que tomar suplementos com apenas um ou vários componentes, como vitamina C e vitamina E. Uma metanálise recente confirmou que, com exceção dos complexos de vitamina B e ácido fólico não há benefício cardiovascular de ingerir suplementos vitamínicos.

Um estudo muito importante conduzido em Israel por Iris Shai, RD, PhD e colegas comparou a dieta mediterrânea com uma dieta baixa em carboidratos, similar à dieta de Atkins, e uma dieta com baixo teor de gordura. A perda de peso foi igual nas dietas low-carb e Mediterrânea, e ambas foram significativamente melhores do que a dieta com baixo teor de gordura. Mais importante, a dieta mediterrânea foi claramente superior na redução de açúcar no sangue, níveis de insulina em jejum e resistência à insulina entre os diabéticos. É claramente a melhor dieta para diabetes.

Considerando que a maioria dos estudos dietéticos em pessoas de vida livre têm altas taxas de desistência, este estudo alcançou 95% de adesão em 1 ano e 86% de adesão em 2 anos. Isso foi realizado porque o estudo foi conduzido em uma grande instituição onde os residentes obtinham suas refeições no refeitório, e as refeições eram codificadas por cores para que os moradores não tomassem os alimentos errados.

No Lyon Diet Heart Study (1995), a dieta mediterrânea reduziu os ataques cardíacos recorrentes e os derrames em 70% em 4 anos. Em comparação, a sinvastatina no estudo Scandinavian Simvastatin Survival Study (1994) reduziu os ataques cardíacos recorrentes em 40% em 6 anos. Há também muitos estudos mostrando que a adesão a uma dieta mediterrânea reduz acentuadamente o risco em estudos observacionais. Um recente deles veio do estudo REGARDS, nos Estados Unidos.

É possível que uma dieta vegetariana possa ser ainda melhor do que a Dieta Mediterrânea (embora suplementos de vitamina B12 sejam necessários), mas essa hipótese não foi bem testada. Por enquanto, a melhor dieta para prevenção cardiovascular é a dieta mediterrânea cretense.

A American Heart Association (AHA) informou em 2015 que apenas 0,1% dos americanos consomem uma dieta saudável, e apenas 8,3% consomem uma dieta um pouco saudável,havendo então muito espaço para melhorias.

 

 

FONTE: MedPageToday

https://www.medpagetoday.com/cardiology/prevention/73990