Você sabia: Quase metade da população adulta do mundo tem Hipertensão Arterial

Você sabia: Quase metade da população adulta do mundo tem Hipertensão Arterial

A ocorrência de hipertensão arterial nos países em desenvolvimento parece ser semelhante ao dos Estados Unidos, de acordo com a nova definição de pressão arterial (acima de 130/80 mm Hg) da American College of Cardiology (ACC) / American Heart Association (AHA), segundo sugere um novo estudo.

“Com a antiga definição do JNC-7 [Seventh Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure] de 140/90 mm Hg, a prevalência de hipertensão em países em desenvolvimento foi menor do que nos EUA. Mas, com essa nova definição, não parece haver muita diferença em diferentes partes do globo, com hipertensão afetando quase metade da população mundial”, disse o autor principal, Gulam Muhammed Al Kibria, MBBS, da University of Maryland, Baltimore.

No entanto, observou ele, a nova definição de hipertensão arterial pode ter um impacto limitado no mundo em desenvolvimento.

“A maioria das pessoas nos países em desenvolvimento nunca tem sua pressão arterial regularmente mensurada. Então todas essas pessoas que agora são classificadas como hipertensas provavelmente não serão identificadas”, disse Kibria.

No entanto, a mensagem de que quase metade da população é agora hipertensa pode estimular os governos a realizar mais esforços para aumentar a conscientização sobre essa questão e promover educação sobre estilo de vida.

“Por causa de recursos limitados, os sistemas de saúde nos países em desenvolvimento não se concentraram em cuidados preventivos para condições crônicas como a hipertensão. E com a antiga definição de hipertensão, a condição era menos prevalente do que no Ocidente, portanto não foi dada prioridade”, concluiu. “No entanto, com essa nova definição, sugere-se que a hipertensão seja um problema tão grande nos países em desenvolvimento quanto no Ocidente, e mais esforços precisam ser feitos para combatê-la”, acrescentou.

O estudo foi publicado online em 13 de julho no JAMA Network Open.

 

Prevalência de Hipertensão Arterial

Os pesquisadores procuraram analisar a prevalência de hipertensão em países em desenvolvimento de acordo com as novas definições nas diretrizes do ACC / AHA.

Selecionaram o Nepal porque, ao contrário da situação na maioria dos países em desenvolvimento, alguns dados confiáveis ​​sobre pressão sanguínea estavam disponíveis, e eles acreditam que o Nepal é representativo de muitos outros países em desenvolvimento no sul da Ásia e na África.

 

Os pesquisadores usaram dados da Pesquisa de Demografia e Saúde do Nepal (Nepal Demographic and Health Survey), com base na população de 2016, realizada em 2016-2017, na qual mais de 14.000 indivíduos de todo o país tiveram sua pressão arterial medida.

Os investigadores descobriram que 44,2% tinham hipertensão de acordo com a diretriz ACC / AHA de 2017, em comparação com 21,2% segundo a antiga definição do JNC-7.

“Portanto, a nova definição foi associada a um aumento absoluto de 23% e mais do que o dobro do número de pessoas foram classificadas como hipertensas”, disse Kibria.

Um estudo similar realizado nos Estados Unidos concluiu que a prevalência de hipertensão na população subiu de 31,6% de acordo com a definição do JNC-7 para 45,6% com a nova definição ACC/AHA de 2017, observaram os autores.

“Considerando a morbidade e a mortalidade associadas à hipertensão, essa constatação traz um grande desafio na área da Saúde Pública para o Nepal e outros países com características sociodemográficas semelhantes”, escreveram os pesquisadores.

“Nossos resultados demonstram a importância de executar mais programas de conscientização para controlar a hipertensão, bem como minimizar as complicações associadas à hipertensão. Além disso, pesquisas semelhantes em outros países podem ser úteis para estimar os encargos relacionados à hipertensão”, concluem.

 

Consequências em Longo Prazo

Em um comentário anexo, David A. Watkins, MD, University of Washington, Seattle, observa que o estudo levanta questões importantes sobre a alocação de recursos escassos para o tratamento da hipertensão em países de baixa renda.

Ele relata que a principal implicação das descobertas para a saúde pública no Nepal e em outros países de baixa renda pode ser “abordar a diretriz ACC / AHA com cautela, particularmente porque ela tem consequências em longo prazo para sistemas de atenção primária à saúde que já estão sobrecarregado”.

Watkins ressalta que vale a pena questionar se é apropriado “ter um nível tão baixo de pressão arterial nos países pobres, onde os recursos de saúde são tão limitados”.

“Essa nova definição de hipertensão é mais relevante para o mundo ocidental, onde há mais recursos disponíveis para direcionar aos pacientes de baixo risco, identificados com pressões sistólicas de 130 a 140 mm Hg.

“O Nepal e outros países em desenvolvimento têm prioridades muito mais urgentes para seus recursos de saúde do que identificar pacientes com pressão arterial moderadamente elevada”.

No entanto, ele acrescentou que estes números mais recentes sugerem que há uma “transição de tirar o fôlego” em curso no sul da Ásia, com um número de pessoas com hipertensão agora semelhante ao dos Estados Unidos.

“Esperamos que isso estimule alguma ação para desenvolver programas de atenção primária para primeiro identificar aqueles com pressão arterial mais alta e que correm alto risco de doença cardíaca e derrame. Então, com o tempo, esses programas podem ser ampliados para incluir os pacientes de menor risco identificados pela nova definição de hipertensão”.

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Fonte: Medscape News
https://www.medscape.com/viewarticle/899301