A visita de cachorros na UTI: um recurso terapêutico

A visita de cachorros na UTI: um recurso terapêutico

A presença de cães para “terapia” tornou-se muito comum em alguns hospitais, mas poucas instituições permitiram o seu acesso a pacientes, especialmente aqueles que são vulneráveis como os internados na UTI. Atualmente o Massachusetts General Hospital está avaliando como isso pode ser feito com segurança.

 

Cães podem ser uma presença bem-vinda na UTI

A pesquisa denominada “Mass.General” constatou que uma visita de animais de “terapia” pode contribuir para a redução da pressão arterial, o pulso e a frequência respiratória do paciente.

Foi evidenciado também, que após as visitas de cães de “terapia”, os pacientes relataram diminuição da ansiedade, da fadiga e da dor. Outros estudos mostraram resultados mistos, e, portanto, esse resultado não esclarece com precisão por quanto tempo os benefícios da terapia com animais de estimação podem durar.

Embora os animais de “terapia” estejam se tornando bem aceitos em todo o país (EUA), poucos hospitais tentaram expandir seus programas de terapia animal para a UTI, temendo que os pacientes, vítimas de certas doenças, possam ser vulneráveis ​​a bactérias ou infecções.

O estudo “Mass.General” quer mudar esse conceito, refere Amanda Coakley, uma enfermeira que lidera o programa de terapia com animais e que está criando um protocolo de pesquisa para determinar se essa terapia pode ser aplicada com segurança e eficácia aos pacientes da UTI.

Um número limitado de pesquisas apoia essa prática. Médicos da Johns Hopkins relataram na revista Critical Care que, em sua experiência, os cães podem humanizar e aliviar a experiência estressante do paciente na UTI. Os cães também podem motivar os pacientes a se levantar e se curvar, realizando tarefas críticas na reabilitação.

Megan Hosey, a principal autora do artigo, mencionou sobre um paciente que não estava disposto a tentar ficar de pé depois de ser acamado, mas durante a visita de um cão de “terapia” o paciente prontamente se levantou para fazer companhia ao cachorro.

 

Requisitos rigorosos para animais de “terapia”

Nem todo cão ou gato se qualifica para visitar a UTI. Todos os animais de “terapia” do “Mass.General” são certificados pela Pets and People Foundation. Atualmente, apenas cães são admitidos nessa UTI de Massachusetts.

Candy Mandel, presidente da organização, comentou: “As pessoas acham que você só precisa ter um cachorro bonito e simpático”. Mas, na realidade, os cães devem demonstrar obediência, calma nas seguintes situações: (1) durante um teste de meia hora que envolve caminhar por um corredor lotado, (2) permanecer em pé junto a pessoa que está promovendo ruídos em objetos de metal e (3) ignorar a comida que é colocada no chão.

Além disso, para evitar que os cães de terapia disseminem doenças, eles devem ser banhados no dia anterior à visita ao hospital e receber as imunizações necessárias. O “Mass.General” também exige que os proprietários lavem suas mãos após deixar o quarto do paciente e os animais não podem visitar nenhum outro paciente que esteja seguindo protocolos especiais de prevenção de infecção.

Até agora o “Mass.General” não teve problemas relacionados à presença dos animais na UTI, segundos relatos de Liz Kowalczyk do Boston Globe.

 

Um labrador especial

James Cawley, um policial aposentado de 60 anos de idade, recentemente vivenciou em primeira mão o programa de terapia de animais de Massachusetts quando foi visitado por um cão labrador chamado Tucker.

Cawley foi internado na UTI cardíaca por três semanas, recebendo tratamento preparatório para receber um implante de coração artificial. Mas apesar de sua doença severa, foi nítido a melhora de seu ânimo quando Tucker se aproximou dele: “O que está acontecendo, amigo?” Cawley perguntou… Seus olhos ficaram marejados e ele imediatamente transbordou suas emoções.

Cawley logo se referiu sobre seu passado, dizendo ao proprietário de Tucker que há muito tempo ele costumava treinar cães pastores alemães para farejar bombas nos serviços militares. E ele expressou gratidão pela visita de Tucker: “Qualquer coisa que ajude a melhorar o estado de espírito de um paciente é bem vindo”, disse Cawley. “Tudo o que os cães querem fazer é mostrar amor e carinho de uma forma incondicional”.

 

Fonte: https://www.advisory.com/international/weekly-roundup/2018/05/07/pet-therapy

 

Adendo:

No Hospital Israelita Albert Einstein, nós já vivenciamos inúmeras visitas de cães a pacientes aqui internados.

Talvez a primeira vez que isso ocorreu tenha sido no ano de 2002: uma senhora viúva internada com um problema cardíaco e com uma imensa saudade de seu cão de estimação.

Vivia sozinha, contando apenas com a presença do seu cão de estimação e de um funcionário que era o seu motorista.

Desde a sua internação o cachorro parou de se alimentar permanecendo deitado movendo-se apenas para fazer suas necessidades fisiológicas.

Os enfermeiros que cuidavam da paciente perceberam como seria importante a presença desse cão junto a sua dona. Mas essa era uma atitude até certo ponto impensável e revolucionário para a época.

Após inúmeros contatos e reuniões administrativas, o cão foi trazido na frente da Unidade de Reabilitação e quando presenciou a chegada de sua dona, ficou pulando demonstrando uma alegria incontida. A sua dona não parava de chorar de alegria.

O cão retornou a sua casa e voltou a se alimentar. Coincidentemente, ou não, em poucos dias a viúva internada melhorou e teve alta.

Eu não tenho a menor dúvida que a presença de um animal de estimação junto a uma pessoa que está sofrendo de alguma doença pode ser tão benéfica (para ambos) quanto os tratamentos que o paciente recebe. O amor que o cachorro tem pelo seu dono é imensurável e incondicional. Eu sou testemunha desse fato: tenho uma paixão e sou fã incondicional de cachorros desde a minha infância.

Esse é um segredo da natureza que ainda tem que ser muito estudado.

Elias Knobel.