As Páscoas e o mundo atual

As Páscoas e o mundo atual

Prezados amigos,

Como têm ocorrido frequentemente, as Páscoas judaica e cristã coincidem no calendário de 2018 e têm início nessa semana.

Ambas as festividades tem um sentido e significado muito parecidos: A Páscoa cristã trás na sua essência o significado do nascimento e do renascimento, enquanto que a judaica tem um sentido de liberdade, se contrapondo ao jugo, a opressão e a escravidão que os Judeus viveram no regime dos faraós do Egito.

A Páscoa judaica não reflete apenas fatos históricos antigos, mas enfatiza e enaltece uma jornada em que o povo Judeu vislumbrou a sua liberdade em busca de segurança na tão almejada terra prometida que constitui hoje o Estado de Israel.

Muitos outros povos também buscam a sua segurança e uma terra onde possam se desenvolver e criar os seus filhos, com dignidade, prosperidade visando uma vida com qualidade. Nos tempos atuais isso ocorre com milhares de refugiados em todo o mundo tornando as imagens que vemos diariamente na mídia televisiva um fato tão comum, banal e corriqueiro, e que acaba perdendo o seu impacto perante inúmeras pessoas que assistem passivamente esses acontecimentos.

Tenho percebido muitas vezes algumas pessoas de diferentes níveis culturais questionarem a “invasão” que o nosso país, o Brasil, tem sofrido com a presença de haitianos, venezuelanos, africanos, sírios e refugiados de muitas partes do mundo. Muitos desses refugiados famintos e que foram forçados a abandonar os seus locais de origem são com frequência antagonizados e não recebem o suporte humano que qualquer um mereceria ter. Nessas ocasiões questiono e pergunto a essas pessoas: Qual é sua origem? Será que você não teve parentes que tiveram que abandonar os seus países e vieram encontrar o seu lar aqui no Brasil?

Isso aconteceu com minha família, que teve que fugir da barbárie nazista na Polônia, local onde existiram muitos campos de concentração. Outros amigos entre os quais os de origem árabe e angolanos, também tiveram que se deslocar de sua terra natal encontrando no Brasil um território que os recebeu de braços abertos e com o característico calor humano de nosso povo.

Poderia citar o que aconteceu com inúmeros imigrantes japoneses, italianos, portugueses, espanhóis, que vieram procurar uma vida nova num país resplandecente, mas que, atualmente, se encontra muito ferido em decorrência das barbaridades morais que aqui têm sido registradas.

Portanto, de uma forma ou de outra nós temos em nossas origens a experiência da perseguição, discriminação, refúgio e necessidade de recomeçar.

O Brasil é e sempre será uma nação de imigrantes.

Nesse ano no seder de Pessach (o jantar da noite da Páscoa Judaica) será lido, como tradicionalmente se faz, a Hagadah onde é relatada a epopeia dos judeus que foram libertados do jugo dos faraós e que vagaram pelo deserto durante 40 anos. Foram refugiados assim como os atuais, que enfrentam o medo e a intolerância no dia a dia. Dentro do conceito de liberdade e tolerância, temos que nos conscientizar que as portas devem ser abertas para todos aqueles que buscam refúgio e fogem de uma perseguição por qualquer razão com intuito de construir uma vida melhor para eles e seus filhos.

Na leitura da Hagadah de Pessach podemos refletir e incorporar esses conceitos importantes sobre a verdadeira liberdade que tem um significado mais profundo na vida de todos aqueles que buscam uma Paz entre os povos das nações.

Vamos comemorar as páscoas. E mais do que isso, festejar a essência da liberdade que todos nós temos que usufruir e preservar a todo custo.

Uma feliz Páscoa a você e a toda sua família

Elias Knobel