Sim, seu cão te ama: a neurociência pode comprovar

Sim, seu cão te ama: a neurociência pode comprovar

Em uma entrevista ao New York Times, Gregory Berns, um neurocientista na Emory University, nos Estados Unidos que faz pesquisas utilizando a ressonância magnética em cães, compartilha algumas boas notícias para amantes de cães em todo lugar: “Seu cachorro pode realmente sentir amor por você – e não pela sua comida”.

 

Onde o projeto começou

Segundo Berns, seus estudos em caninos têm uma origem que seria pouco provável. Tudo começou, disse ele, “com a missão que matou Osama bin Laden”. Enquanto observava a cobertura das notícias, Berns notou que havia um cão a bordo do helicóptero com os SEALs da Marinha. “Helicópteros são incrivelmente barulhentos. Os cães têm uma audição extremamente sensível. Então pensei: Se os militares podem treinar cães para entrar em helicópteros, pode ser possível levá-los aos aparelhos de ressonância magnética que são muito barulhentas “.

O objetivo de Berns, um amante do vegetarianismo e dos cães, foi o de aprender o que os companheiros fiéis pensam e sentem. “Como neurocientista, eu vi como os estudos de ressonância magnética nos ajudaram a entender quais partes do cérebro humano estavam envolvidas em processos emocionais. Talvez o teste de ressonância magnética possa nos ensinar coisas semelhantes sobre cachorros”.

 

Treinando os cães

Para começar as pesquisas, Berns construiu um simulador de ressonância magnética em seu porão e testou-o em Callie, seu terrier de família. Ele trabalhou com um treinador de cães um conjunto de comandos que poderiam convencer um cão a suportar uma ressonância magnética.

Depois que Callie aprendeu com sucesso as tarefas, Berns e o treinador expandiram o tamanho da amostra, solicitando aos donos de cães locais para que fossem voluntários do estudo. De acordo com Berns, eles treinaram e avaliaram cerca de 90 cães desde 2012.

 

O teste

Os pesquisadores realizaram testes de cães “análogos aos testes de neurociência já realizados em seres humanos “, disse Berns. Por exemplo, um teste “go, no-go” que é semelhante ao teste de marshmallow usado para medir a capacidade de atrasar a gratificação.

“No scanner (exame de ressonância), pudemos observar que, quando sob o comando no-go, uma parte do lobo pré-frontal tornou-se ativa”, explicou Berns. “Os cães que tiveram mais atividade nessa região tiveram um melhor desempenho. É o mesmo o que ocorre com os humanos no teste de marshmallow. Eu não acredito que isso tenha sido visto antes em não-primatas”, disse Berns.

Em outro experimento, os pesquisadores testaram a forma como os cães processam diferentes tipos de recompensas – desde alimentos até elogios humanos. Para o experimento, os pesquisadores deram aos cães salsichas em alguns casos e elogios em outros.

De acordo com Berns, um olhar para o centro de recompensas dos cérebros dos cachorros mostrou que “o grande número de cães respondeu ao elogio e à comida igualmente”. E cerca de 20% reagiram mais fortemente ao elogio do que a comida oferecida”, acrescentou Bern. “A partir disso, concluímos que a grande maioria dos cães nos ama pelo menos tanto quanto a comida”.

Os pesquisadores também constataram que os cães têm partes dedicadas do cérebro para o processamento de rostos, disse Berns. “Isso significa que os cães não estão apenas aprendendo estar ao nosso redor e que os rostos humanos são importantes – eles nasceram para olhar os rostos de seus donos. Isso não era conhecido antes”.

 

Aplicações práticas

Quando se trata de aplicações práticas, Berns disse que poderia “ser útil para treinar cães para serviços”.

Segundo Berns, treinar cães pode custar dezenas de milhares de dólares, porém, ao criar cachorros para um serviço, muitos deles podem se “tornar inadequados” para realizá-los. Para abordar a questão, os pesquisadores trabalharam com a Canine Companions for Independence para identificar quais cachorros provavelmente teriam sucesso nessa função.

Além disso, Berns explica que a pesquisa pode ajudar a proteger cães que são agressivos, acrescentando conhecimento sobre o que está acontecendo nos cérebros desses animais e pode ajudar com alternativas para o sacrifício dos mesmos.

A pesquisa de Berns é publicada em um novo livro, “What is Like to Be a Dog” (Dreifus, New York Times).

 

Fonte: Advisory.com por e-mail

https://www.advisory.com/international/weekly-roundup/2017/9/25/dog-interview

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