O Risco da Solidão

O Risco da Solidão

YORK, UK — Embora uma pesquisa feita anteriormente tenha mostrado um elo entre relações sociais inadequadas e mortalidade prematura, uma nova metanálise sugere que pode haver uma associação significante para aumento de risco de doença coronária aguda (DCA) e acidente vascular cerebral (“derrame”).

A revisão de 23 artigos e 181.006 pacientes considerou um aumento de 29% para risco de DCA para aqueles que tinham uma menor qualidade de relacionamentos, demonstrado por meio da mensuração de solidão e isolamento social, comparado com aqueles que tinham uma maior qualidade em seus relacionamentos. Também verificou-se um aumento de risco para derrames em 32% para pacientes que sofreram solidão e isolamento.

Os investigadores, liderados por Dr. Nikole K. Valtorta (University of York, UK), notaram que a solidão frequentemente contribui para uma deficiência em métodos de enfrentamento o isolamento afeta a eficácia pessoal e os dois foram associados a uma redução da atividade física e aumento do tabagismo.

Eles acrescentam que futuramente esses estudos deverão ser direcionados para essas características sociais, pois “podem ajudar a prevenir duas das maiores causas de morte e desestabilidade em países desenvolvidos”. Mas, por agora, “profissionais da saúde possuem um importante papel em admitir que as relações sociais podem afetar seus pacientes”.

Essas descobertas foram publicadas em 18 de abril de 2016 na revista Heart.

Em um acompanhamento editorial a Dra. Julianne Holt-Lunstad e o Dr Timothy B. Smith (ambos da Brigham Young University, Provo, UT) apontaram que os resultados “são considerados substanciais para pesquisas que indiquem riscos de saúde” através da baixa qualidade e quantidade de relacionamentos sociais.

Com essas novas descobertas acrescidas a literatura médica e pelo aumento esperado na baixa qualidade nas relações sociais no futuro da America do Norte e Europa, “a ciência médica precisa abordar diretamente as ramificações em beneficio da saúde física”, escrevem os editores.

 

 Inclua fatores sociais no treinamento médico…

Após examinar 16 bancos de dados sobre saúde, a revisão final dos investigadores incluiu 23 estudos com 4.628 eventos de DCA e 3.002 eventos de derrame, e seus acompanhamentos por cerca de 3 a 21 anos.

Dos estudos examinados, 18 tinham mensurações sobre isolamento social, três possuíam mensuração para solidão e dois para as duas. Ainda, 18 estudos avaliaram a incidência de DCA e 10 de derrame – com cinco reportando os dois eventos.

Adicionalmente , cada estudo teve uma análise média de 98 a 47.713 participantes.

O risco relativo (RR) para incidentes de DCA foi de 1.29 dos participantes que reportaram altos índices de solidão ou isolamento social versus aqueles com baixo índice (95% CI 1.0-1.6).

Não houve diferenças significantes entre aqueles que reportaram apenas solidão ou apenas isolamento social.

A associação encontrada entre baixa qualidade em relações sociais com DCA foi “comparável em dimensão a outros fatores de risco psicossociais reconhecidos tais como ansiedade e estresse no trabalho”, ressaltaram os pesquisadores.

Adicionalmente o risco relativo para derrame em pacientes com baixa qualidade em seus relacionamentos sociais foi de 1.32(95% CI 1.0-1.7).

“As evidências cumulativas apontam para o benefício de incluir fatores sociais no treinamento médico e na educação continuada para profissionais da saúde”, escreveu a editora.

Acrescentam ainda que cardiologistas e outros clínicos “adotam marcantes posturas públicas” quando se fala sobre outros fatores de riscos e de exacerbação de doenças cardiovasculares, “portanto, torna-se necessário atenção a relação das conexões sociais na pesquisa e vigilância na saúde pública, na prevenção e nos esforços para atuação ”.

 

O estudo foi financiado pela National Institute for Health Research, Research Trainees Coordinating Center. Os autores do estudo e os editores citados não possuem relação financeira relevante.

 

 

Fonte: MedScape

http://www.medscape.com/viewarticle/862370