Gorduras trans, colesterol e doenças coronárias

Gorduras trans, colesterol e doenças coronárias

Muito tem se falado a respeito dos malefícios das gorduras trans e isto pude constatar recentemente, quando estive participando de um congresso na Europa. Em diversos países existem projetos de saúde pública visando abolir este tipo de gordura de forma definitiva de todos os alimentos.

Estas gorduras existem numa quantidade mínima na natureza, porém elas são encontradas em quantidades variáveis e até elevadas em produtos que são processados industrialmente.

Assim, por exemplo, as margarinas tradicionais, alguns molhos de saladas e outros tipos de guloseimas e alimentos recebem estas gorduras para terem uma consistência mais sólida e não líquida como originalmente. Na maioria dos países do mundo, atualmente, existe nestes produtos uma descrição da quantidade de gorduras trans existentes.

Está provado que existe uma relação direta entre dietas com alto nível dessas gorduras trans e também do LDL (“mau” colesterol) com a maior incidência de doenças das artérias coronárias.

Deve-se salientar que um indivíduo deve fazer um tratamento preventivo de doenças cardiocirculatórias, e isso vai muito além do que “tratar o colesterol”. Nos dias de hoje, existem medicamentos que conseguem reduzir os valores do LDL e do colesterol de uma forma geral para níveis normais e até ideais. Mas se o paciente for obeso, hipertenso, fumante, sedentário, estressado e diabético, o resultado deste tratamento será muito discreto em termos preventivos.

É fundamental que os outros fatores de risco também sejam abordados e tratados. Os níveis de pressão arterial, quando medidos de forma correta e com valores elevados repetidamente constatados, devem ser trazidos para valores considerados ideais (120/80 mmHg). Ressaltamos a importância da medida correta e adequada da pressão arterial, pois valores erroneamente registrados podem ter como conseqüência a ausência ou um tratamento desnecessário. Da mesma forma, a abolição do hábito de fumar é essencial, pois mesmo que os outros fatores de risco sejam corrigidos, o tabagismo por si só representa um fator decisivo para a ocorrência de doenças circulatórias.

A redução de peso e a prática de exercícios também são essenciais e isso não pode ser obtido de forma passiva, necessitando de uma participação ativa do paciente e não dependendo da utilização de medicamentos caros.

O vilão que tem sido considerado nos últimos anos é o diabetes mellitus ou a intolerância ao açúcar que pode ocorrer nos indivíduos obesos. Os níveis considerados ideais de glicose no sangue foram rebaixados há alguns anos, não devendo ultrapassar 99 mg/dl em jejum. Podemos dizer de uma forma simplista que existem pacientes com doenças coronárias de dois tipos: com e sem diabetes, e a sua evolução clínica é diferente.

Nos dias de hoje, medicamentos conseguem controlar os níveis de pressão arterial, baixar os valores do colesterol, reduzir os níveis de açúcar no sangue e até ajudar a parar de fumar. Porém não temos um medicamento que induza o paciente a fazer exercícios, reduza de forma eficiente e definitiva os níveis de estresse e corrija o DNA, ou seja, o componente familiar/hereditário.

Não existe certeza absoluta de que quem tem todos os fatores de risco terá 100% de chance de adquirir uma doença cardiocirculatória. Da mesma forma, os pacientes que não têm os citados fatores de risco não estão isentos de serem afetados por uma doença aterosclerótica na circulação, mas seguramente a sua chance será muito menor que no primeiro caso.

Na minha experiência profissional, percebo que as pessoas acabam tomando uma atitude quando se sentem ameaçadas por um sintoma ou pela ocorrência de um fato grave, em algum amigo ou parente com condições de vida similares.

Na abordagem que faço habitualmente aos meus pacientes, costumo, após toda esta preleção, dizer o seguinte: “Tenho a certeza de que você irá se cuidar: pode ser antes ou depois de ser afetado por uma doença cardiocirculatória. Acredito que seja mais lógico e racional adotar as medidas preventivas antes que algo ocorra. O que você acha?”

 

 

Este material tem propósito informativo e não dispensa a necessidade de consulta a profissional qualificado e habilitado.