Diabetes

Diabetes

O QUE É DIABETES?

 Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada por níveis elevados de açúcar (glicose) no sangue, que resulta de um defeito na secreção e/ou ação da insulina (hormônio secretado pelo pâncreas responsável por transportar a glicose para dentro das células).

As descrições mais antigas do diabetes destacavam a  “urina doce”e a perda exagerada de massa muscular. Os níveis elevados de glicose no sangue levam a uma maior eliminação de glicose pela urina (daí o termo urina doce), e como a glicose (maior fonte de energia) não é utilizada adequadamente, existe um processo de catabolismo, isto é, transformação da proteína do músculo em glicose, com emagrecimento e perda da massa muscular.

Diabetes é uma condição médica crônica, que deve ser controlada por toda a vida.

 

QUAL O IMPACTO DO DIABETES?

 Atualmente o diabetes pode ser caracterizado como uma epidemia. Em 1985 existiam cerca de 30 milhões de adultos com diabetes no mundo, sendo que a projeção para 2030 é de 300 milhões.

Cerca de 2/3 dos indivíduos com diabetes vivem em países em desenvolvimento, envolvendo cada vez mais a população mais jovem. Este aumento ocorre devido ao crescimento e envelhecimento populacional, a maior urbanização e ao aumento da obesidade e sedentarismo.

O diabetes tem implicação importante no aumento taxa da mortalidade e dos custos com a saúde das populações.

 

QUAIS OS DIFERENTES TIPOS DE DIABETES?

 Existem dois tipos maiores de diabetes, chamados diabetes tipo 1 e tipo 2. O diabetes tipo 1 (diabetes mellitus insulino-dependente), apresenta uma agressão auto-imune às células beta do pâncreas, que ficam incapazes de secretar insulina. Esta agressão é provocada por anticorpos do próprio organismo, levando a necessidade de utilização de insulina por toda a vida. Este tipo de diabetes geralmente ocorre em indivíduos magros, jovens (menos de 30 anos). Entretanto existe uma forma mais tardia e lenta da doença que pode acometer indivíduos mais velhos, denominada LADA (Latent Autoimunne Diabetes in Adults).

As complicações do DM1 podem ocorrer em curto prazo (descompensação aguda), e a longo prazo,  acometendo os vasos pequenos do organismo (microcirculação), afetando nervos, retina e rins.

No diabetes tipo 2 (diabetes não insulino-dependente), ocorre  produção de insulina, porém em quantidades insuficientes para as necessidades do organismo. Geralmente existe uma produção aumentada de insulina, que não consegue agir devido a resistência do tecido adiposo (gordura) e músculo à sua ação. Isto ocorre principalmente devido ao acumulo de gordura depositada no abdome que estes indivíduos apresentam, levando a uma sobrecarga de gordura ao fígado (ácidos graxos), gerando alterações no metabolismo da glicose no próprio fígado, pâncreas, músculo e gordura. Este tipo de diabetes geralmente ocorre em indivíduos após 30 anos de idade, porém cada vez mais vem ocorrendo nas pessoas mais jovens. A causa está relacionada com a genética (mais comum quando existem antecedentes na família), e principalmente associado com a obesidade (mais prevalente quanto maior o grau de obesidade).Também é mais comum em mulheres que apresentaram diabetes na gestação, e relacionada com outras doenças: pancreatite, doenças hormonais (cushing e acromegalia) e relacionado com uso de medicações (corticóides, e contra infecção por HIV)

 

QUAIS OS SINTOMAS DO DIABETES?

 Os primeiros sintomas do diabetes não tratado estão relacionados com o aumento dos níveis de glicose no sangue. Isto leva a maior perda de água pela urina, levando a desidratação. Portanto, estes indivíduos vão ter mais sede, ingerindo mais líquidos e urinando em maior quantidade.

A insulina é um hormônio anabólico, que tem ação prejudicada no diabetes, ocorrendo perda de peso apesar do aumento do apetite. Outros sintomas comuns são a fadiga, náuseas e vômitos. Existe também uma maior tendência de aparecer infecções urinárias, na pele e na vagina. As flutuações nos níveis de glicose levam a visão turva, e quando seus níveis estão extremamente elevados podem levar até ao coma.

 

COMO O DIABETES É DIAGNOSTICADO?

 A glicemia em jejum é o principal exame para diagnosticar diabetes. Deve-se realizar jejum de oito horas e coletar o exame no laboratório. O valor normal de glicose é menor que 100 mg/dl; 2 valores maiores que 126 em ocasiões separadas diagnosticam a doença. Se o exame for realizado sem ser em jejum, porém apresentar valores maiores que 200, também diagnosticam a doença.Caso a glicemia de jejum estiver entre 100 e 126, pode ser realizado o teste de tolerância à glicose (ingestão de solução açucarada), realizando medidas da glicose em intervalos até completar 2 hs.  Este teste classifica 3 subgrupos: glicemia de jejum alterada, tolerância à glicose diminuída e diabetes. O teste de tolerância também diagnostica diabetes gestacional.

 

COMO SE REALIZA O ACOMPANHAMENTO DA GLICEMIA?

 A glicemia pode ser monitorizada em casa através de aparelhos chamados glucosímetros, que através de tiras reagentes analisam o sangue coletado pelo próprio paciente em uma “picada” no dedo. Uma importante meta no diabetes é manter a glicemia entre 70 e 120 mg/dl antes das refeições e menor que 140 mg/dl duas horas após a alimentação.

A HbA1c (hemoglobina glicada) é o melhor método laboratorial para realizar o acompanhamento do controle glicêmico. Como o açúcar no sangue tem a propriedade de se ligar a proteínas, e a Hemoglobina (células vermelhas do sangue que carregam o oxigênio), vive cerca de 90 dias no sangue, a medida da Hemoglobina ligada ao açúcar (HbA1c), fornece informações da média das glicemias nos últimos 90 dias. As associações mundiais de diabetes recomendam manter níveis menores que 6,5 ou 7% para evitar complicações relacionadas com o diabetes.

 

QUAIS AS COMPLICAÇÕES AGUDAS DO DIABETES?

 A insulina é vital para pacientes com diabetes tipo 1. Na sua falta, a glicose não consegue entrar para dentro das células, ocorrendo aumento dos níveis de açúcar no sangue e urina, levando a uma perda exagerada de líquidos e eletrólitos. O organismo tenta então obter energia dos estoques provenientes do músculo e gordura, levando a produção de cetonas, que modificam o pH do sangue, situação chamada de cetoacidose. Os sintomas desta complicação são náuseas, vômitos e dor abdominal. A falta de tratamento imediato poderá levar ao choque, coma e até mesmo morte. A descompensação aguda geralmente é causada por infecções, estresse, traumas, ou pela falta de insulina. No diabetes tipo 2, o descontrole pode levar ao coma hiperosmolar, associado aos níveis elevados de glicose no sangue, e portanto aumento da osmolaridade.

Situação inversa também pode ocorrer, que é a hipoglicemia (níveis baixos de glicose no sangue: menor que 40 mg/dl). O uso de doses maiores de insulina ou antidiabéticos, e jejum prolongado são as maiores causas de hipoglicemia.Geralmente ocorrem manifestações do sistema nervoso para alertar sobre a queda perigosa dos níveis de glicose: tontura, fraqueza, confusão e tremores. Tal situação pode ser revertida com a administração de fontes de glicose via oral ou endovenosa. Existe também a possibilidade de se medicar com Glucacon, que é um hormônio administrado no músculo que reverte rapidamente o processo. È importante que pessoas com diabetes tenham uma identificação, para nos casos de perda da consciência, receber glicose o mais rápido possível.

QUAIS AS COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DO DIABETES?

 Estas complicações acometem os vasos do organismo, e são classificadas como dos pequenos vasos (doença microvascular), afetando olhos, rins e nervos; e grandes vasos (doença macrovascular), lesando o coração, cérebro e extremidades.

O diabetes tipo 1 leva à doença microvascular, portanto é importante realizar exame do fundo de olho para avaliar alterações na retina, evitando progressão para a retinopatia, que é a principal causa de cegueira no mundo. Deve-se também realizar exames para avaliar perda de proteína na urina, que é um indicador da perda de função do rim (nefropatia), a fim de se evitar diálise ou até mesmo transplante. Exame neurológico, principalmente dos pés, deve ser realizado, pois a perda da sensibilidade (neuropatia) pode levar a formação de úlceras (feridas) de difícil cicatrização.

O diabetes tipo 2 favorece a aterosclerose das artérias (formação de placas de gordura), levando ao acometimento das artérias coronárias (angina, infarto), derrames, e dor nos membros inferiores devido falta da circulação (claudicação).

 

COMO SE PREVENIR OU RETARDAR AS COMPLICAÇÕES?

 Dados de grandes estudos mostram que o controle rigoroso dos níveis de açúcar em pacientes com diabetes tipo1 e tipo 2 diminui a incidência de retinopatia, nefropatia e neuropatia; e pode diminuir a gravidade das alterações nos grandes vasos. Para se obter esta diminuição os níveis de açúcar devem estar entre 70 e 120mg/dl em jejum e menor que 160 mg/dl após as refeições. Entretanto, isto pode dobrar o risco de hipoglicemias. Por este motivo o alvo da glicemia pode ser menos rígido para crianças com menos de 13 anos, indivíduos com hipoglicemia severa recorrente e idosos. Para conseguir o controle ótimo da glicose, diabéticos tipo 1 precisam monitorizar a glicose sanguínea pelo menos 4 vezes ao dia, e aplicar insulina pelo menos 3 vezes ao dia. No diabetes tipo 2, o controle agressivo tem benefícios semelhantes nos olhos, rins, nervos e vasos sanguíneos.

 

DIABETES RESUMIDO:

 Diabetes é uma condição crônica associada com níveis elevados de açúcar (glicose) no sangue.

  • A insulina produzida pelo pâncreas diminui a glicose sanguínea.
  • Ausência ou produção insuficiente de insulina causa diabetes.
  • Os dois tipos de diabetes são o diabetes tipo 1 (insulino-dependente) e diabetes tipo 2 (não insulino-dependente).
  • Sintomas do diabetes incluem: aumento da eliminação de urina, sede, fome e fadiga.
  • O diabetes é diagnosticado pelos níveis elevados de açúcar no sangue.
  • As maiores complicações do diabetes são agudas e crônicas:

Agudas: níveis elevados e perigosos de açúcar no sangue, podendo também ocorrer níveis muito baixos devido ao uso de medicações utilizadas para o seu controle.

Crônicas: acometimento dos vasos sanguíneos (pequenos e grandes) podendo danificar os olhos, rins, nervos e coração.

O tratamento do diabetes depende do seu tipo e gravidade. O diabetes tipo 1 é tratado com insulina, exercício e dieta específica. O diabetes tipo 2 é tratado no início com redução do peso, dieta e exercício. Quando estas medidas falham, medicações orais são utilizadas. Se as medicações orais não resolverem, insulina deve ser utilizada.

Este material tem propósito informativo e não dispensa a necessidade de consulta a profissional qualificado e habilitado.